- Em 27 de maio, foi deflagrada a Operação Poço de Lobato, com 126 mandados de busca e apreensão em cinco estados contra o Grupo Refit e redes associadas.
- A Justiça bloqueou ao menos 10,2 bilhões de reais e apreendeu mais de 2 milhões de reais em espécie, além de oito sacos plásticos com esmeraldas em Campinas.
- A investigação aponta a criação de cerca de cinquenta fundos de investimento para ocultar bilhões de reais de um esquema de sonegação e lavagem no mercado de combustíveis.
- O esquema envolvia empresas ligadas entre si, uso de contas no exterior e simulados de vendas interestaduais, segundo o governo de São Paulo.
- A estimativa é de que a fraude tenha movimentado por volta de 72 bilhões de reais entre o segundo semestre de 2024 e o primeiro semestre de 2025, com a Refit apontada como a maior devedora de ICMS em São Paulo.
A Deflagração da Operação Poço de Lobato ocorreu em 27 de maio, com 126 mandados de busca e apreensão em cinco estados. O bloqueio de ativos soma 10,2 bilhões de reais, e houve apreensão de mais de 2 milhões em dinheiro vivo, além de oito sacos de esmeraldas. O objetivo é desmontar um esquema de sonegação e lavagem de dinheiro no mercado de combustíveis.
O grupo investigado envolve o Grupo Refit, do empresário Ricardo Magro, que, segundo as autoridades, estruturou uma rede com cerca de 50 fundos de investimento para ocultar recursos. Estima-se que mais de 72 bilhões de reais tenham transitado pelo esquema entre 2024 e 2025. Fintechs, bancos, distribuidoras e postos de gasolina participavam do modelo.
Os endereços de atuação abrangeram São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Bahia. A Justiça aponta que havia uso de empresas ligadas entre si, simulação de vendas interestaduais e irregularidades fiscais relevantes, com foco na sonegação de ICMS. A refinaria era apontada como núcleo central do esquema.
Mecanismos de ocultação e alcance financeiro
A investigação aponta que fundos no exterior, inclusive em Delaware, eram usados para blindar patrimônio e dificultar o rastreamento das operações. Contas-bolsão e estruturas em camadas teriam complexo efeito de ocultação dos verdadeiros beneficiários.
Operações envolviam uma empresa financeira central, ligada a várias filiais, controlando fluxos de lucro e pagamentos. O objetivo era manter o dinheiro longe de fiscales, com camadas de estruturas jurídicas e financeiras.
O prejuízo estimado aos cofres públicos é de cerca de 26 bilhões de reais, entre estados e a União. A Receita Federal reforça que as relações financeiras envolviam entidades ligadas à Operação Carbono Oculto, também vinculada a fraudes no setor de combustíveis.
Resposta institucional e desdobramentos
Entre as ações, a Cadeia de Carbono resultou na retenção de quatro navios com 180 milhões de litros de combustível e na interdição da refinaria da Refit no Rio de Janeiro. O Ministério Público de SP coordena o fluxo financeiro e a ocultação patrimonial.
O Ministério Público de São Paulo (CIRA-SP) destaca a sofisticação do esquema, com movimentação bilionária por múltiplos fundos e instituições. Administradoras e gestoras teriam participação direta, segundo a avaliação do órgão.
Em reação, o governo e o Legislativo anunciam medidas contra fraudes no setor de combustíveis. Regiões atingidas e autoridades reforçam a fiscalização para evitar novos desvios e ampliar a transparência de operações financeiras complexas.
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