- Em São Paulo, prédios de alto padrão abandonados ou com uso inadequado viraram símbolo de um “esqueleto urbano”; a capital lidera esse tipo de caso no Brasil, e a prefeitura já notificou 2.752 imóveis desde 2014 por descumprirem a função social da propriedade.
- O Edifício Penthouse, no Morumbi, promovido como luxo na década de oitenta, está endividado e com parte das unidades ocupadas por moradores da Frente de Luta por Moradia desde 2024; há taxas de condomínio em torno de R$ 5,2 mil e dívidas de IPTU que chegam a mais de R$ 550 mil em dois imóveis.
- Em Perdizes, a construção da Atlântica na Rua Apiacás permanece inacabada desde 2016, resultado de falência da construtora em 2017 e de disputas judiciais; o terreno acumula dívidas de IPTU e centenas de processos envolvendo a empresa.
- A Torre Paulista, na Avenida Paulista, também figura entre os exemplos de esqueleto urbano: o edifício de 19 mil metros quadrados ficou vazio em 2015 para receber um hotel que nunca saiu do papel, com a venda atual de unidades e imóveis ociosos.
- Especialistas veem possibilidades de solução, como revitalização, retrofit ou venda do ativo à massa falida para novas incorporações, mas destacam que custos de manutenção e inadimplência dificultam a recuperação desses empreendimentos.
O mercado imobiliário de alto padrão em São Paulo enfrenta um fenômeno de esqueleto urbano: prédios inacabados, disputas judiciais e inadimplência de taxas que reduzem valor e ocupação. Exemplos citados vão desde Perdizes até o Morumbi, refletindo um peso concreto no cenário da cidade.
Na Perdizes, a construtora Atlântica faliu em 2017 após apontadas irregularidades na comercialização de unidades. O empreendimento, iniciado em 2013, ficou 60% pronto em 2016 e hoje está sem conclusão. A obra fica em Rua Apiacás e, desde 2024, é ocupada por membros de um movimento social.
No Morumbi, o Edifício Penthouse, lançado nos anos 1980, acumula dívidas condominiais e IPTU. Nove das 13 unidades ainda são ocupadas, mas o edifício vem perdendo valor; a vista, antes para a cidade, hoje dá para a vizinha Paraisópolis. Infiltrações e problemas estruturais agravam o cenário.
Os especialistas apontam a relação entre custo de manutenção e busca por símbolos de luxo. O professor Fernando Calvetti afirma que o excesso de diferenciais pode elevar o condomínio e comprometer a viabilidade a longo prazo. Para ele, o descolamento entre desejo de status e planejamento técnico é comum em obras de alto custo.
Outra referência mencionada é o Torre Paulista, na Paulista. O prédio foi esvaziado em 2015 para ceder espaço a um hotel que não saiu do papel. Hoje, a área está parada, com a proprietária Savoy buscando alternativas. O metro quadrado chega a cerca de 19 mil reais no momento de negociações, e o custo total estimado fica em torno de 2 milhões.
A Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento informou que o Torre Paulista está classificado como não utilizado e que, se não houver impedimentos legais, os proprietários serão notificados para cumprir a função social da propriedade. A Savoy não respondeu a reportagens.
Situações paralelas relatadas em Curitiba revelam padrões semelhantes: edifícios com projetos inovadores, mas sem compradores, dívidas e disputas judiciais que afetam a viabilidade. Em São Paulo, o Esqueleto Urbano de luxo vem ganhando atenção por refletir limitações do mercado.
Soluções apontadas pelos especialistas incluem a venda da massa falida para nova incorporação ou a revitalização com retrofit, especialmente em imóveis com localização valorizada. Entidades afirmam que, embora desvalorizações ocorram, há caminhos para reverter parte do cenário mediante planejamento financeiro e revisão de custos.
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