- Nubank encerra o trabalho totalmente remoto e adota o modelo híbrido obrigatório a partir de 2026, com dois dias de presença por semana nesse ano e três dias em 2027; a empresa também amplia escritórios em várias cidades ao redor do mundo.
- Mesmo com crescimento, o banco registrou lucro líquido de US$ 637 milhões e ROE anualizado de 28% no segundo trimestre de 2025, operando com equipes distribuídas.
- Pesquisas no Brasil e no exterior indicam que modelos remoto e híbrido costumam trazer bem‑estar e produtividade, enquanto o retorno presencial é visto como menos exigente de conforto pela maioria.
- Analistas veem o movimento mais simbólico do que estratégico, destacando que a cultura depende de clareza, confiança e responsabilidade; estudos indicam ganhos de produtividade com flexibilidade, mas há debates sobre vigilância digital e controle.
- A discussão também envolve saúde mental e privacidade: parcela relevante de trabalhadores prefere autonomia na escolha dos dias, e há relatos de exaustão em ambientes com pouca autonomia; muitos brasileiros não têm suporte psicológico por questões financeiras.
O Nubank anunciou o fim do modelo totalmente remoto e a adoção de um regime híbrido obrigatório a partir de 2026. A empresa prevê dois dias de presença por semana em 2026 e três dias em 2027, em função de reorganização de operação e controle. A decisão coincide com expansão de escritórios em várias cidades ao redor do mundo.
A mudança ocorre após o banco registrar um dos seus trimestres mais lucrativos da história, com lucro líquido de US$ 637 milhões e ROE anualizado de 28% no segundo trimestre de 2025, mesmo com equipes distribuídas. A companhia também confirmou planos de abrir novas unidades em cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Cidade do México, Bogotá, Buenos Aires, Washington e Berlim.
Analistas veem o movimento mais como simbólico do que estratégico, apontando a intenção de recuperar controle hierárquico. Empresas ressaltam que presença física não garante alinhamento entre equipes, enquanto estudos indicam preferência por flexibilidade. Dados de pesquisas destacam impactos positivos da flexibilidade na qualidade de vida e na produtividade.
Contexto das pesquisas
Estudos no Brasil e no exterior associam modelos remoto e híbrido a bem-estar e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. A USP e FIA apontam que 94% dos profissionais em remoto relatam melhoria na qualidade de vida. Já a Vittude mostra que 48,1% dos brasileiros preferem o modelo híbrido com autonomia, frente a 30,8% que escolhem o presencial.
Perspectivas sobre produtividade e saúde
A EY aponta que 74% dos empregadores percebem aumento de produtividade com mais flexibilidade, enquanto 80% dos trabalhadores concordam. Debates sobre vigilância digital aumentam, com uso de monitoramento de produtividade e captura de telas, gerando discussões sobre privacidade e confiança.
Realidade setorial e futuro do trabalho
O setor de tecnologia atravessa períodos de demissão e incertezas com IA, elevando a tensão sobre retorno ao escritório. A Vittude indica que 73,2% não contam com acompanhamento psicológico por questões financeiras, o que agrava vulnerabilidades. O destino do modelo de trabalho depende de decisões que equilibrem confiança, resultados e controle.
Conclusão indicada pela reportagem
O caso Nubank deve influenciar discussões de mercado sobre modelos de trabalho, com empresas avaliando entre confiança e evidências de produtividade. A direção tomada pela empresa poderá moldar a experiência profissional, seja no remoto, híbrido ou presencial, em diferentes regiões.
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