- Proposta de moeda internacional de reserva emitida por países do Sul Global, sem funções nacionais, em estudo com Cepal e IPEA, atualmente em fase de conclusão.
- A moeda seria lastreada em uma cesta de títulos públicos dos países fundadores, com participação chinesa entre 40% e 45%, e criaria garantias legais, autonomia institucional e mecanismos de sanção limitada.
- A emissão ficaria a cargo de um banco emissor internacional (nova instituição financeira), não substituindo bancos centrais nacionais, e a moeda circulando apenas em transações internacionais.
- A cesta seria composta por moedas flutuantes dos países participantes, com pesos definidos pela participação no PIB em paridade de compra; haveria regras para excluir moedas com variações excessivas e evitar sanções.
- Riscos e entraves: possível reação negativa do Ocidente; permanece a dúvida sobre viabilidade prática e geopolítica, diante de um cenário de busca por uma alternativa ao dólar e ao euro.
O autor de uma coluna dedicada a temas econômicos discute a viabilidade de uma moeda internacional de reserva emitida por países do Sul Global, sem funções nacionais. A proposta, apresentada em artigo em fase de conclusão, conta com apoio da Cepal e do IPEA. O objetivo é criar uma instituição emissora associada a garantias legais e autonomia institucional.
Segundo o texto, a ideia difere de moedas únicas existentes: seria uma moeda encerrada ao âmbito internacional, sem papel na economia doméstica dos países patrocinadores. A criação depende de uma nova instituição financeira internacional, não de bancos centrais nacionais, com atuação exclusiva na emissão da nova moeda.
O autor descreve o lastro da moeda, a ser formado por uma cesta de títulos públicos dos países fundadores e futuros participantes. A participação chinesa ficaria entre 40% e 45%, reforçando o peso da credibilidade do lastro. O mecanismo permitiria conversibilidade em títulos e em cesta de ativos, com regras de estabilidade e sanções limitadas.
Proposta de funcionamento
A moeda proposta seria lastreada por uma cesta de moedas dos estados participantes, com pesos baseados no PIB em paridade de poder de compra. A China ocuparia parcela relevante, mantendo o equilíbrio entre exportadores e importadores de commodities. A cesta incluiria ajustes para evitar flutuações excessivas, com exclusões temporárias de moedas em performance destabilizadora.
A instituição emissora receberia mandatos longos para evitar pressões políticas, com governança por conselhos institucionais e autonomia operacional. Um teto de emissão funcionaria como freio a abusos, e o regime de garantia legal buscaria evitar o uso de sanções como instrumento de pressão, valorizando estabilidade.
Desafios e riscos
O texto reconhece vulnerabilidades, incluindo a possível reação negativa de potências ocidentais que possam impor sanções aos países criadores. O autor aponta que o Ocidente tem histórico de utilização de instrumentos monetários como poder político, o que elevou o cuidado com a iniciativa.
A análise conclui que, diante de crises financeiras ou da fragilidade do dólar e do euro, pode surgir demanda por alternativas estáveis. O autor ressalta que a discussão é necessária para evitar depender exclusivamente de moedas de norte global, mantendo o foco em desenvolvimento e estabilidade para o Sul Global.
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