- Pedidos de recuperação judicial no agronegócio tiveram crescimento de cerca de 150% no terceiro trimestre ante o mesmo período de 2023, e subiram 11,15% em relação ao trimestre anterior, aponta a Serasa Experian.
- No trimestre foram 255 solicitações de pessoa física e 242 de pessoa jurídica, com soja tendo o maior número de pedidos (156) e pecuários (45).
- Entre as PF, 84 pedidos foram feitos por arrendatários ou por grupos econômicos e familiares, e 69 por grandes proprietários.
- O aumento dos pedidos indica maior dificuldade de produtores rurais manter fluxo de caixa e pagamento, levando bancos a ficarem mais criteriosos na concessão de crédito.
- Autoridades ressaltam que o ambiente de crédito está sob pressão no setor, e que certos escritórios de advocacia apresentam a recuperação judicial como solução de curto prazo.
O número de pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro teve alta expressiva no terceiro trimestre, segundo a Serasa Experian. O total aumentou cerca de 150% em relação ao mesmo período de 2023, e cresceu 11,15% frente ao trimestre anterior, marcando o maior registro da série histórica.
A atuação do crédito no setor ficou mais restrita, com bancos adotando procedimentos mais rigorosos para concessão de recursos. A Serasa aponta que produtores rurais com histórico de endividamento estão mais vulneráveis, o que pressiona fluxos de caixa e pagamentos.
Segundo a Serasa, no trimestre Os pedidos de recuperação judicial envolvendo pessoas físicas somaram 255, ante 106 no terceiro trimestre do ano anterior. Entre PJ, foram 242 pedidos, frente a 92. O destaque foi o cultivo de soja (156) e a atividade pecuária (45) entre os pedidos.
Contexto de crédito e impactos no setor
A divulgação também cita o recorte de produtores arrendatários ou de grupos familiares como os mais impactados entre os PFs, totalizando 84 pedidos. Entre os PJ, grandes produtores somaram 69 requisições, com soja e pecuária entre as motivações.
Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, ressaltou que o ambiente de crédito está mais pressionado pela alta de recuperações judiciais. Ele afirmou que escritórios de advocacia costumam apresentar o instrumento como solução viável, o que, segundo ele, não se comprova no longo prazo.
Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa, completou que o cenário exige reforço na análise de crédito com base em dados. Ele observou que muitos produtores continuam rolando dívidas sem reduzir custos ou ajustar o patrimônio para conter expansões mal planejadas.
A Serasa destaca que os números indicam um desafio maior para manter fluxos de caixa e pagamentos, especialmente para produtores com histórico de endividamento. O aumento dos pedidos de recuperação judicial tem influenciado o comportamento das instituições financeiras na região.
Entre na conversa da comunidade