- Entre janeiro e setembro, o mercado imobiliário registrou 33 operações de fusões e aquisições, queda de 15,38% ante o mesmo período de 2024 (39 negócios).
- Do total, 24 transações foram domésticas, houve entrada de estrangeiras em apenas duas operações e uma envolveu compra de empresa no exterior, reafirmando o protagonismo do capital brasileiro.
- Os negócios mais relevantes incluíram a Cyrela Asteca sendo adquirida pela Riva no Rio de Janeiro; Best Center foi adquirida pelo TG Renda Urbana Master, por R$ 308,5 milhões; Shopping Interlagos (Ancar Ivanhoe) foi comprado pelo Grupo Savoy por R$ 560 milhões; 24% do Shopping Pátio Cianê, em Sorocaba, foi adquirido pelo HSML11 por R$ 71,6 milhões; e o Rio Anil Shopping foi adquirido pelo MALL11, por R$ 172 milhões.
- Custos de construção subiram, com cimento (+8%), aço (+10%) e mão de obra (+6%), pressionando a TIR e elevando o custo de capital diante da Selic em 15%, o que ampliou a seletividade dos investimentos e reduziu a atratividade dos FIIs.
- A KPMG espera desempenho estável para 2026, com nível de negócios similar ao de 2025, cap rates entre 10% e 12% e foco em ativos consolidados em cidades como São Paulo, Vitória e Goiânia; o capital estrangeiro permanece cauteloso diante da incerteza fiscal e de novas pressões sobre juros.
O mercado imobiliário brasileiro registrou 33 fusões e aquisições entre janeiro e setembro deste ano, frente a 39 no mesmo período de 2024, uma queda de 15,38%. O levantamento é da KPMG e considera informações mais recentes de resultados corporativos. O cenário aponta maior restrição a novos investimentos, com juros altos, custos de construção elevados e maior seletividade dos compradores.
Entre as transações, 24 foram domésticas, envolvendo apenas empresas brasileiras. Apenas duas envolveram entrada de capitais estrangeiros adquirindo ativos no país, e uma consistiu na compra de uma empresa no exterior por investidores de fora. A leitura aponta para o protagonismo do capital nacional em um ambiente de cautela internacional.
Apenas alguns negócios ganharam destaque entre incorporadoras, como a Cyrela Asteca, adquirida pela Riva, com ativos no Rio de Janeiro. Outro exemplo foi a compra da Best Center pelo fundo TG Renda Urbana Master, avaliada em 308,5 milhões de reais.
No segmento de shopping centers ocorreram operações relevantes. A Ancar Ivanhoe, controladora do Shopping Interlagos, foi adquirida pelo Grupo Savoy por 560 milhões de reais. O Shopping Pátio Cianê, em Sorocaba, teve 71,6 milhões de reais com 24% comprado pelo HSML11. O Rio Anil Shopping foi adquirido pelo MALL11, por 172 milhões.
O desempenho reflete custos de construção mais altos: cimento, aço e mão de obra subiram, pressionando a rentabilidade. A Selic, em 15% ao ano, eleva o custo de capital e financiamento imobiliário, conforme afirma Juan Diaz, da KPMG. Com retornos mais apertados, investidores reavaliaram alocações.
Os FIIs enfrentaram liquidez menor, apesar de recorde de 2,9 milhões de cotistas. Segundo o Relatório Anual de FIIs da B3, o volume negociado caiu 10,48% em 2025 ante 2024, de 353 milhões para 316 milhões de reais. Saques acumulados desde o ano anterior reduziram a liquidez.
Diante desse cenário, as transações passaram a privilegiar ativos consolidados e geração de caixa, com foco em regiões com demanda previsível. São Paulo permanece como principal polo, seguido por Vitória e Goiânia, especialmente em segmentos de alto padrão. O capital estrangeiro permanece cauteloso.
Entre na conversa da comunidade