- Nos EUA, as condições do real estate comercial devem melhorar levemente em 2026, mas centenas de milhares de empregos a menos devem reduzir a demanda por espaço.
- Escritórios permanecem vulneráveis com vacância elevada; a hotelaria também enfrenta pressão de receita.
- Na Europa, a recuperação é modesta e desigual, apoiada por juros menores e valores estáveis ou levemente mais altos em alguns países.
- Ásia-Pacífico apresenta cenário diverso: Japão e Austrália com apoio a RMBS/ABS; China com deterioração de ativos automotivos.
- Data centers ganham importância no financiamento; riscos climáticos podem elevar custos, sem impactos materiais imediatos em 2026; Brasil aparece apenas com PIB de 2% e inflação de 4,3%, sem análise específica do mercado imobiliário.
O relatório global da Moody’s aponta uma estabilização gradual do mercado imobiliário em 2026, sustentada por juros mais baixos e crédito ainda ativo, mas com cautela devido a inadimplência elevada, vacância persistente e riscos macro e geopolíticos. O cenário indica uma recuperação desigual entre regiões e classes de ativo.
A Moody’s destaca que a queda dos juros deve favorecer refinanciamentos, mantendo o crédito em dominios estáveis. No entanto, a desaceleração econômica global deve manter a demanda fraca em parte do setor, impedindo um ciclo robusto de recuperação.
Nos Estados Unidos, a melhora do real estate comercial deve ser apenas marginal. Desemprego elevado deve reduzir a demanda por espaço, especialmente em escritórios, enquanto o crédito beneficia refinanciamentos em 2026. As vacâncias seguem altas em grandes mercados.
Estados Unidos
O estudo aponta que a recuperação de escritórios permanece vulnerável, com vacância elevada em mercados com mais de 18 milhões de m². Em hotéis, a receita por quarto disponível deve continuar pressionada pela menor demanda turística internacional.
A Moody’s também prevê melhoria gradual do cenário de CRE a partir de 2026, mas dentro de um regime neutro. O nível de empregos e o consumo agregam riscos ao desempenho setorial, que deve seguir variando por segmento.
Na prática, escritórios permanecem o principal ponto de fragilidade, com efeitos mais acentuados onde a oferta é elevada. Já a hotelaria enfrenta pressão de receita diante do turismo reduzido.
Europa
A recuperação europeia é descrita como modesta, com melhora gradual de 2026. Juros baixos ajudam a estabilizar valores imobiliários, especialmente na Itália, Espanha e Reino Unido, enquanto Alemanha e França devem avançar com menos velocidade.
O ritmo de recuperação é considerado frágil, sujeito a geopolítica, fricções fiscais e volatilidade política. A Moody’s alerta para diferentes velocidades entre mercados nacionais e classes de ativos dentro da região.
Ásia-Pacífico
A Austrália deve registrar melhora na qualidade dos ativos RMBS, beneficiando tanto empréstimos prime quanto nonconforming. Contudo, a inadimplência deve recuar lentamente, mantendo pressão nos segmentos de maior risco.
No Japão, baixo desemprego e salários crescentes ajudam ABS e RMBS a resistir ao aperto de juros. Já na China, a qualidade de ativos de ABS automotivos tende a deteriorar-se em 2026, com crescimento econômico mais fraco elevando riscos.
Transformação digital e riscos climáticos
Ao lado da transformação digital, os data centers ganham importância como ativo de financiamento, com demanda por financiamento de centros de dados crescendo. Limitações entre investidores institucionais podem restringir a expansão.
Quanto aos riscos climáticos, eventos extremos podem subir custos de seguro e de operação, mas não devem impactar de forma material os RMBS dos EUA em 2026, por diversificação geográfica dos portfólios.
Brasil
A única menção ao Brasil no relatório é a projeção de PIB de 2% para 2026, com inflação prevista de 4,3%. Não há análise específica sobre o desempenho do mercado imobiliário brasileiro ou sul-americano no documento.
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