- O mercado global de arte continuou em contração em 2025, com o fechamento de galerias de médio porte nos EUA, em Londres e outras regiões.
- Nos Estados Unidos, tarifas e novas regras anti-tráfico impactaram o comércio de algumas categorias e prejudicaram a logística e a reputação do país como ambiente de negócios.
- Na União Europeia, dealers criticaram a exigência de origem de arte antiga com mais de duzentos anos; Itália reduziu o VAT para cinco por cento, atraindo espaços de grandes casas de leilão ao país.
- O Golfo recebeu o maior foco do setor, com Art Basel Qatar e Frieze Abu Dhabi anunciando feiras na região, além de iniciativas de leilão e investimentos do setor privado.
- No final do ano, houve sinais de recuperação no segmento de alto valor, com leilões em Nova York registrando preços recordes, incluindo Klimt por 236,3 milhões de dólares e Frida Kahlo por 54,7 milhões de dólares.
O mercado global de arte continua em retração em 2025, com a desaceleração macroeconomic impactando storages e fechando espaços relevantes. Grandes galerias do mid-tier interromperam atividades em cidades como Los Angeles, Nova York e Londres, enquanto a prática de leilões mantém o ritmo mais fraco nas regiões tradicionais.
Contribuíram para o desaquecimento tarifas e novas regras de combate ao tráfico, que reduziram volumes em determinadas vertentes da arte. Nos EUA, medidas tarifárias complicaram o comércio de artes decorativas e mobiliário, ainda que a maioria das obras de arte tenha ficado sujeita a menos restrições. Na UE, leis de origem de arte antiga pressionaram dealers.
Foco estratégico no Golfo
No cenário global, o Golfo levou a melhor na atenção de compradores e investidores. Art Basel e Frieze anunciaram feiras na região, em Doha e Abu Dhabi, com formatos que variam de boutique a eventos já consolidados. Leilões de luxo intensificaram operações, com a Sotheby’s promovendo semana de coleções de alto nível em Abu Dhabi após investimento de fundo soberano.
Parcerias e expansões ganharam impulso. Art Basel e Sotheby’s marcaram presença em conferências na Arábia Saudita, com anúncios de acordos e planos de abertura. Colnaghi, a mais antiga galeria, planeja abrir espaço em Riade. A região surge como motor para novos negócios em meio à incerteza ocidental.
Mercados europeus e histórico de demanda
Na Europa, Itália reduziu significativamente o IVA sobre arte, alinhando-se a Alemanha e França e atraindo lojas de alto valor para Milan e outras cidades. Paris registrou alta de 30% nas ventas de outubro, mas o crescimento permanece concentrado, com a maior parte da expansão associada às perdas de Londres pós-Brexit.
Nos EUA, a atividade de alto valor mostrou sinais de recuperação no segundo semestre, com leilões em Nova York apresentando lances competitivos. Em novembro, a venda de Klimt por Sotheby’s atingiu recorde, impulsionando a percepção de retomada em obras de referência, ao lado de outras peças memoráveis.
Perspectivas de mercado
As casa de leilões Christie’s e Sotheby’s encerraram o ano com crescimento de vendas em 2025 versus 2024, especialmente na segunda metade. Contudo, a sustentabilidade dessa recuperação ainda não é clara, e o setor permanece dependente de mercados secundários e de demanda por obras clássicas.
O crescimento mais expressivo ficou com o Sudeste Asiático e o Golfo, onde preços recordes foram alcançados em leilões de obras de artistas como M. F. Husain. Dois conglomerados surgiram neste ano para atender esse novo ciclo de demanda, com atuação focada em transações de alto valor e vendas secundárias.
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