- O ano começou com otimismo regulatório para cripto, com Trump apoiando o setor e instituições financeiras ganhando confiança, mas a queda de preços pesou para muitos bilionários do ramo.
- Jeremy Allaire, da Circle, tem patrimônio de US$ 1,7 bilhão, alta de 149% desde 4 de junho de 2025, e a Circle abriu o capital com avaliação de US$ 6,9 bilhões; a stablecoin USDC circula em mais de US$ 77 bilhões.
- Giancarlo Devasini, da Tether, soma US$ 13,2 bilhões; a emissão de USDT cresceu mais de 15% neste ano, e a empresa discutiu captação de cerca de US$ 20 bilhões, com avaliação potencial de US$ 500 bilhões.
- Changpeng Zhao, da Binance, tem US$ 50,9 bilhões; recebeu indulto de Trump e firmou relações com o governo dos EUA, incluindo investimento ligado à World Liberty Financial.
- Chris Larsen, da Ripple, aparece com US$ 14,6 bilhões; a Ripple encerrou a disputa com a SEC com multa civil, e Larsen passou a deter mais de US$ 5 bilhões em XRP ligado à empresa.
No início de 2025, o setor cripto vivia expectativa elevada, com promessas de regulação mais favorável nos EUA e maior adoção por instituições financeiras. O cenário animado se refletiu em valorização de ativos e em processos de abertura de capital, apesar de desafios regulatórios passados.
Ao longo do ano, o mercado alternou entre avanços e recuos. Enquanto alguns bilionários viram ganhos expressivos, outros acompanharam quedas de ativos e mudanças de estratégia. O Bloomberg Billionaires Index traça o retrato de quem permaneceu em pé e quem recuou.
Dois movimentos pesaram: a volatilidade dos preços de criptoativos e as disputas regulatórias. Em meio a isso, novos casos de sucesso surgiram, bem como readequações de negócios frente a um ambiente de maior escrutínio.
Os vencedores
#### Jeremy Allaire, Circle Internet Group
Patrimônio líquido: US$ 1,7 bilhão. Variação desde 4 de junho de 2025: +149%. Variação desde o pico: -68%.
A Circle mantém o USDC como uma das maiores stablecoins, com circulação superior a US$ 77 bilhões. A empresa abriu o capital, avaliando-se em US$ 6,9 bilhões, com lucro líquido de US$ 214 milhões no terceiro trimestre. Allaire fundou a Circle em 2013.
#### Giancarlo Devasini, Tether
Patrimônio líquido: US$ 13,2 bilhões. Variação desde 1º de janeiro: +60%. Variação desde o pico: -4%.
A Tether ampliou a circulação do USDT em mais de 15% e distribuiu mais de US$ 10 bilhões em dividendos a acionistas, incluindo Devasini, presidente do conselho. A empresa considera captação de cerca de US$ 20 bilhões, com avaliação próxima a US$ 500 bilhões.
#### Mike Cagney, Figure Technology Solutions
Patrimônio líquido: US$ 2,1 bilhões. Variação desde 10 de setembro: +46%. Variação desde o pico: -19%.
A Figure abriu capital em setembro, em avaliação de US$ 6,6 bilhões. Cagney é empreendedor com passagem pela SoFi Technologies, destacando-se como figura veterana das fintechs.
#### Mike Novogratz, Galaxy Digital
Patrimônio líquido: US$ 6,7 bilhões. Variação desde 1º de janeiro: +32%. Variação desde o pico: -35%.
A Galaxy, oferecer serviços financeiros a ativos digitais, lucrou com taxas de gestão ao supervisionar reservas cripto de várias empresas. A receita bruta do terceiro trimestre atingiu US$ 28,4 bilhões, puxada pelo setor.
Andando de lado
#### Barry Silbert, Digital Currency Group
Patrimônio líquido: US$ 3,1 bilhões. Variação desde 1º de janeiro: +27%. Variação desde o pico: -28%.
Silbert retomou a liderança da Grayscale, maior gestora de ativos digitais, após deixar o cargo em 2023. A DCG e Silbert enfrentam ações judiciais ligadas ao colapso da Genesis. A Grayscale busca abrir capital, diante da concorrência de ETFs de criptomoedas.
#### Brendan Blumer, Bullish
Patrimônio líquido: US$ 1,8 bilhão. Variação desde 12 de agosto: +17%. Variação desde o pico: -42%.
Blumer cofundou a Bullish, corretora e formadora de mercado voltada a clientes institucionais, aberta em outubro com avaliação de US$ 5,4 bilhões. A empresa recebeu licença para operar em Nova York e expandiu operações nos EUA.
#### Brian Armstrong, Coinbase Global
Patrimônio líquido: US$ 11 bilhões. Variação desde 1º de janeiro: +2%. Variação desde o pico: -38%.
A Coinbase promoveu diversificação de negócios, com ativos tokenizados e novos mercados. As ações da empresa ficaram próximas aos níveis iniciais do ano, e a empresa foi incluída no índice S&P 500.
#### Donald Trump e família, World Liberty Financial
Patrimônio líquido: US$ 6,5 bilhões. Variação desde 1º de janeiro: +1%. Variação desde o pico: -17%.
A família passou a ter participações em projetos cripto, como World Liberty Financial e a American Bitcoin Corp. As quedas de ativos específicos não zeraram ganhos de outras plataformas, mantendo o patrimônio próximo ao início do ano.
#### Changpeng Zhao, Binance
Patrimônio líquido: US$ 50,9 bilhões. Variação desde 1º de janeiro: -5%. Variação desde o pico: -17%.
No ano, Zhao recebeu indulto presidencial ligado a questões anteriores. A Binance consolidou vínculos com Trump e com projetos regulatórios, incluindo apoio tecnológico a firmas associadas. A empresa planeja relançar operações nos EUA.
#### Chris Larsen, Ripple Labs
Patrimônio líquido: US$ 14,6 bilhões. Variação desde 5 de novembro de 2025: -5%. Variação desde o pico: -11%.
A Ripple encerrou disputa com a SEC mediante multa civil. Larsen detém mais de US$ 5 bilhões em XRP. A Ripple levantou US$ 500 milhões a uma avaliação de US$ 40 bilhões, em meio a cenário regulatório mais estável.
#### Justin Sun, Tron
Patrimônio líquido: US$ 10,3 bilhões. Variação desde 11 de agosto de 2025: -16%. Variação desde o pico: -29%.
Sun manteve influência na infraestrutura de stablecoins via Tron, com operações diárias acima de US$ 20 bilhões. Memecoins associadas a Trump sofreram grandes recuos, impactando parcialmente sua carteira.
Feridos e machucados
#### Michael Saylor, Strategy
Patrimônio líquido: US$ 4 bilhões. Variação desde 1º de janeiro: -37%. Variação desde o pico: -59%.
A Strategy manteve a estratégia de financiar-se para comprar Bitcoin, mantendo investimentos próximos a US$ 2 bilhões. A competitividade do setor pressionou as ações da empresa ao longo do ano.
#### Cameron e Tyler Winklevoss, Gemini Space Station
Patrimônio líquido: US$ 4,8 bilhões. Variação desde 1º de janeiro: -59%. Variação desde o pico: -70%.
A Gemini tinha planos de abertura de capital, mas documentos indicam que o negócio é menor que o esperado e dependia de empréstimos dos próprios irmãos. As ações caíram com o recuo do Bitcoin.
Observação: os valores são de 16 de dezembro e refletem o Bloomberg Billionaires Index. As empresas citadas recusaram comentar ou não responderam aos pedidos de entrevista.
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