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Eletronuclear tem caixa de três meses e renegocia empréstimos com bancos públicos

Estado financeiro da Eletronuclear é crítico; negociações com bancos públicos visam stand still e liberação de recursos do Fundo de Descomissionamento em 2026 para evitar colapso

Usina de Angra 3 — Foto: Eletronuclear
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  • Caporal afirma que a Eletronuclear tem caixa para dois a três meses e negocia com bancos públicos um stand still, com possível suspensão de pagamentos por dois a três meses, evitando aporte imediato do Tesouro.
  • A dívida e as gastos com Angra 3 mantêm a empresa em situação crítica: serviço da dívida previsto em cerca de R$ 800 milhões neste ano e custos totais acima de R$ 1 bilhão anuais, com a usina parada há cerca de dez anos.
  • Plano envolve liberar recursos do Fundo de Descomissionamento no primeiro trimestre de 2026, ainda dependendo de decisão do CNPE sobre Angra 3; governo não descartou completamente aporte financeiro.
  • O BNDES resiste à interrupção de pagamentos enquanto persiste a indefinição sobre Angra 3; a empresa cita necessidade da definição do governo para avançar.
  • Caporal sustenta que a comparação com os Correios não procede: Eletronuclear não busca aporte direto, e o risco de aporte envolve a situação da ENBPar, controladora da estatal, segundo relatório do Tesouro.

A Eletronuclear enfrenta hoje uma situação financeira crítica, com caixa suficiente para apenas dois a três meses. A diretoria afirma que não pedirá aporte do Tesouro Nacional e que a prioridade é ajustar dívidas e buscar fôlego financeiro. Angra 3 continua paralisada há quase uma década, gerando indefinição sobre o futuro da usina.

Segundo o presidente interino Alexandre Caporal, o cenário atual depende de sinalizações sobre Angra 3. A empresa já recorreu a empréstimos com bancos públicos durante a paralisação, para manter operações e pagamentos. Sem definição, o risco de ruptura aumenta.

Caporal assegura que a estatal quer evitar o colapso financeiro, mas admite que o serviço da dívida deve chegar a cerca de R$ 800 milhões neste ano. Despesas com manutenção elevam o total anual relacionado a Angra 3 para além de R$ 1 bilhão.

Negociações e recursos

Caporal afirma que o BNDES resiste a suspender pagamentos enquanto não houver definição de Angra 3. Arupted já ocorreu em 2024, em função da expectativa de resolução do projeto. O governo ainda não afastou totalmente a possibilidade de aporte.

A gestão diz ter recorrido à Caixa Econômica Federal e ao BNDES por causa da paralisação das obras. O pedido é por um acordo de stand still, para manter a empresa de pé enquanto o CNPE define o destino de Angra 3.

Perspectivas e fontes de receita

A expectativa é receber, no 1º trimestre de 2026, cerca de R$ 1 bilhão do Fundo de Descomissionamento. O Tribunal de Contas da União reconhece o direito à restituição, mas a ANSN tem resistência a efetuar o pagamento.

Caporal planeja ainda entrar com medida cautelar em janeiro para liberar parte dos recursos. O fundo é financiado por encargos setoriais na conta de luz dos consumidores, destinado à desativação futura das usinas.

Contexto regulatório e comparação

O CNPE ainda não definiu o futuro de Angra 3, com o Ministério de Minas e Energia sinalizando possibilidade de definição até o fim de 2025. A situação da ENBPar exige monitoramento, conforme relatório de riscos fiscais da União.

A Agência Nacional de Energia Elétrica e o governo discutem reequilíbrio tarifário e ajustes operacionais para reduzir o déficit financeiro da empresa. A comparação com os Correios foi rejeitada pela diretoria, que afirma cenário distinto.

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