- Correios apresentaram plano de reestruturação para captar R$ 12 bilhões, com demissões, fechamento de unidades e venda de imóveis visando melhorar liquidez.
- Diagnóstico aponta déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões por ano, patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro de 2025.
- Captação de R$ 12 bilhões foi fechada com pool de bancos; R$ 10 bilhões devem sair ainda em 2025 e R$ 2 bilhões em janeiro de 2026 (BB, Caixa e Bradesco aportaram R$ 3 bilhões cada; Santander e Itaú, R$ 1,5 bilhão cada).
- Plano prevê programa de demissão voluntária de 10 mil funcionários em 2026 e 5 mil em 2027, com economia anual estimada de R$ 2,1 bilhões; despesas com pessoal representam cerca de 62% do total.
- Atração de parcerias de mercado, venda de imóveis com possível sale and leaseback e redesenho da malha logística devem gerar receitas e reduzir custos, com investimentos de R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030 para automação, descarbonização da frota e TI.
O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, apresentou um plano de reestruturação para a estatal deficitária, incluindo a captação de 12 bilhões de reais, demissões e fechamento de unidades. O objetivo é ajustar as finanças e modernizar a empresa.
O diagnóstico aponta déficit estrutural superior a 4 bilhões por ano, patrimônio líquido negativo de 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de 6,057 bilhões até setembro de 2025. A qualidade e a liquidez da operação também caíram.
Rondon afirmou que a recuperação do caixa é a primeira fase do plano, com captação de 12 bilhões de reais fechada junto a bancos na última sexta-feira. O montante deve reduzir problemas de liquidez e viabilizar ações estruturantes.
Na distribuição dos recursos, 10 bilhões devem sair ainda em 2025 e 2 bilhões em janeiro de 2026. Participaram Banco do Brasil, Caixa e Bradesco, cada um com 3 bilhões, e Santander e Itaú, com 1,5 bilhão cada.
O plano prevê, para manter fornecedores, funcionários e tributos em dia, além de melhorar a operação para recuperar receita e confiança de clientes e parceiros. Ainda não há definição sobre aporte público pelo Tesouro no próximo ano.
O Tesouro informou que a captação dos Correios deve gerar economia de cerca de 5 bilhões de reais em juros e acompanhará futuras operações. A pasta indicou que pode haver apoio adicional até 2027, conforme necessidade.
PDV E VENDA DE ATIVOS
A segunda fase, prevista para começar em março, envolve redução de quadro e revisão de benefícios. O programa de demissão voluntária prevê 10 mil desligamentos em 2026 e 5 mil em 2027, com economia anual estimada de 2,1 bilhões de reais e efeito completo em 2028.
Também haverá revisão de cargos de média e alta remuneração e de planos de saúde e previdência. O planejamento aponta que a despesa com pessoal representa 62% do total, podendo chegar a 70%/72% com precatórios trabalhistas.
Parcerias com o mercado já estão em curso, com 11 acordos em andamento. As iniciativas devem gerar 1,7 bilhão de reais em receita até 2027.
A gestão de ativos envolve venda de imóveis ociosos e operações de sale and leaseback, com receita projetada de até 1,5 bilhão de reais em 2026. A ideia é manter a operação nos imóveis após a venda.
O redesenho da rede de operações prevê fechamento de unidades deficitárias ou com pouca viabilidade, visando economia de 2,1 bilhões de reais, sem comprometer a universalização dos serviços.
Médio e longo prazos
Rondon citou a contratação de consultoria externa para avaliar arranjos societários e possíveis parcerias mais amplas envolvendo unidades de execução e de negócio. A meta é estabelecer modelos que permitam ampliar parcerias com o setor financeiro e de serviços.
A previsão é estar em operação novos arranjos a partir de 2026, com investimentos de 4,4 bilhões de reais entre 2027 e 2030, financiados pelo Novo Banco de Desenvolvimento. As ações visam automação, renovação de frota, modernização de TI e descarbonização da logística.
A projeção é de geração de mais de 8 bilhões de reais em receitas adicionais até 2029, com retorno positivo sustentável a partir de 2027. O plano completo busca restabelecer a sustentabilidade financeira da empresa.
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