- A indústria do vinho na Espanha, avaliada em € 22,4 bilhões, precisa contratar 22.600 jovens nos próximos anos para substituir gerações que se aposentam.
- A composição etária mostra 38,9% dos viticultores têm entre 51 e 65 anos, 35% são acima de 65, 16,9% têm entre 41 e 50 e apenas 9,3% são menores de 40.
- A depopulação rural agrava o desafio, já que áreas rurais representam 84% do território, mas abrigam apenas 15,9% da população.
- O presidente da Organização Interprofissional do Vinho (OIVE) afirma que sem renovação geracional o setor tende a murchar; a resposta envolve atrair jovens, modernizar vinhedos e investir em sustentabilidade e tecnologia.
- Em Cuatro Rayas, na região de La Seca, Óscar de Íscar, jovem sócio da cooperativa, reforça que a viticultura precisa ser vista como negócio e que há potencial empreendedor entre as novas gerações.
O setor vitivinícola espanhol, avaliado em 22,4 bilhões de euros, encara uma dualidade de desafios: retenção de jovens, mudanças tecnológicas e impactos da crise climática. Um relatório da Organização Interprofissional do Vinho (OIVE) aponta necessidade de incorporar 22.600 trabalhadores jovens nos próximos anos, à medida que gerações atuais chegam à aposentadoria. A faixa etária dominante entre os produtores revela envelhecimento.
A pesquisa destaca que 38,9% dos viticultores têm entre 51 e 65 anos e 35% estão acima de 65. Já quem tem entre 41 e 50 soma 16,9%, e menores de 40 representam apenas 9,3%. O recuo demográfico rural agrava a carência de mão de obra especializada, refletindo uma tendência de fuga de jovens para áreas urbanas.
Dentro desse quadro, líderes do setor ressaltam a urgência de atrair jovens e modernizar os vinhedos. Fernando Ezquerro, presidente da OIVE, enfatiza que sem reposição geracional a produção pode perder fôlego, pois sem uvas não há vinho. Atração de jovens e adoção de sustentabilidade e digitalização são citadas como pilares da proteção da atividade.
Entre os produtores, Óscar de Íscar, 36 anos, é exemplo de juventude em ascensão no Cuatro Rayas, cooperativa de La Seca (Valladolid). Formado em engenharia química com mestrado em gestão de vinícolas, ele assume parte da herança familiar com foco em gestão e inovação. Ele afirma que muitos jovens não reconhecem o potencial empreendedoras do setor, mas acredita que é possível transformar o vinho em negócio lucrativo e estável.
A Cuatro Rayas demonstra mudanças continentais: o espaço de venda ao público ganhou modernização, com loja de vinhos e itens de turismo, revelando o papel do enoturismo na economia regional. A direção da cooperativa aponta que o apoio à formação técnica e ao uso de novas tecnologias é crucial para manter a competitividade frente a desafios climáticos e de mercado.
Em fins de análise, os dirigentes ressaltam o papel das vinícolas como guardiãs de empregos locais e de captura de carbono. A mensagem é de que a viticultura representa motor econômico de várias comunidades, necessitando de relato claro sobre a complexa cadeia produtiva para atrair jovens, explicar o valor social e econômico de cada vinho e cada vinhedo.
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