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Correios prevê queda de receitas e aumento de despesas em 2026

Correios preveem 2026 com despesas subindo vinte e um por cento e receitas caindo vinte e seis por cento, após empréstimo de doze bilhões, com PDV e fechamento de agências

Correios apresentam plano de reestruturação e anunciam eventual necessidade de mais R$ 8 bi em 2026
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  • Os Correios estimam receitas correntes de R$ 17,7 bilhões em 2026, queda de 26% ante 2025, e despesas aumentam 21%, para R$ 29 bilhões.
  • O orçamento 2026 prevê aumento de custos com pessoal e um PDV que pode desligar até 10 mil funcionários.
  • Em 2026, as despesas com pessoal devem subir para R$ 15,7 bilhões, enquanto os gastos com dirigentes caem para R$ 8,8 milhões.
  • A empresa recebeu 10 bilhões de um empréstimo de 12 bilhões contratados com um consórcio de bancos (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa) com garantia da União; pagamento começa em dezembro de 2029 e juros são 115% do CDI.
  • Planos de reestruturação incluem venda de imóveis não operacionais, fechamento de mil agências, corte de até 15 mil postos nos próximos dois anos e metas para voltar ao equilíbrio em 2026 e lucro em 2027.

Os Correios apresentaram nesta terça-feira, 30 de dezembro, um orçamento para 2026 que aponta piora nas contas: aumento de 21% nas despesas correntes e queda de 26% nas receitas. O documento foi publicado no Diário Oficial da União e integra o decreto com as estimativas das estatais federais, assinado pelo presidente Lula na véspera.

O levantamento indica receitas correntes de 17,7 bilhões de reais para 2026, ajuste menor em relação a 2025, quando a previsão era de 24 bilhões. O desempenho até setembro de 2025 correspondia a 60% da meta anual, tornando necessário arrecadar 8,3 bilhões no quarto trimestre para alcançar o total previsto.

Paralelamente, as despesas devem alcançar 29 bilhões em 2026, subindo 5 bilhões frente a 2025. O aumento é impulsionado por medidas como o programa de demissão voluntária, que pode reduzir até 10 mil vagas. O pessoal tende a registrar alta de 1,5 bilhão, ou 10,5%.

Já os gastos com dirigentes apresentam a maior queda proporcional entre itens, com redução de cerca de 33%, caindo de 13,9 milhões em 2025 para 8,8 milhões em 2026. O orçamento também contempla receitas de capital advindas de empréstimos.

Nesta terça, 30, os Correios receberam 10 bilhões de reais dos 12 bilhões contratados com um consórcio de bancos privados. O contrato, com validade até 2040, tem garantia da União. A assinatura ocorreu no Diário Oficial no dia 27.

O consórcio envolve Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Cada instituição aporta entre 1,5 e 3 bilhões, conforme o acordo. A carência é de três anos, com início dos pagamentos em dezembro de 2029, a taxa de juros de 115% do CDI.

Em coletiva, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, não descartou novos empréstimos de até 8 bilhões, avaliando recursos do Tesouro ou novas operações de crédito. O Tesouro autorizou a garantia, que cobre a dívida caso a estatal não honre os pagamentos.

O plano de reestruturação prevê cortes de até 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis e fechamento de cerca de mil agências, reduzindo o número atual de aproximadamente 5 mil unidades. Analisa-se também reformular o plano de saúde para economizar cerca de 500 milhões por ano.

Rondon explicou que o modelo econômico atual não é mais viável e que o objetivo é reverter 12 trimestres consecutivos de prejuízos. A meta é equilibrar as contas em 2026 e retornar ao lucro em 2027, com ajustes significativos.

Entre as medidas, destacam-se a redução de 2,1 bilhões nos custos com pessoal, venda de 1,5 bilhão em imóveis não operacionais e o fechamento de pontos de atendimento deficitários. O PDV pode reduzir até 18% da folha de pagamentos em dois anos.

O grupo também planeja mudanças no atendimento, com fechamento de mil pontos de venda, além da reformulação do plano de saúde para reduzir custos. O objetivo é tornar a operação mais eficiente e sustentável.

Em setembro, os Correios já haviam divulgado prejuízo de 4,3 bilhões no primeiro semestre de 2025, frente a 1,3 bilhão no mesmo período de 2024. Sem ajustes, a empresa estima prejuízo de até 23 bilhões em 2026, segundo o presidente.

Quanto ao futuro das receitas, a instituição enxerga a possibilidade de chegar a 21 bilhões em 2027, com novas estratégias de negócios. Em 2024, a receita total ficou em 18,9 bilhões, menor que em 2023 e 2022.

Até setembro de 2025, a receita está quase 2 bilhões menor que no mesmo período de 2024, com parte da queda associada ao Remessa Conforme. A medida elevou a cobrança de importação e permitiu maior atuação privada em encomendas internacionais.

A participação dos Correios no mercado de encomendas caiu de 51% em 2019 para 22% em 2025, conforme estudo da própria empresa. O portfólio de investimentos prevê aporte de 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, financiado por empréstimo do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics.

Os recursos visam automação de centros de tratamento, renovação de frota, modernização de TI e redesenho logístico, contribuindo para a recuperação gradual das operações. As informações constam do orçamento encaminhado ao governo.

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