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Correios: receitas com encomendas e mensagens sobem, apesar de prejuízos

Correios anunciam reestruturação para cortar dois bilhões, fechar mil agências e reduzir 18% da folha, buscando oito bilhões adicionais após prejuízo de seis bilhões

JN tem acesso a documentos que mostram que direção dos Correios foi alertada há dois anos de que corria risco de ficar sem dinheiro — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
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  • Em três meses encerrados em setembro de 2025, os Correios tiveram receita de R$ 7,2 bilhões com encomendas e R$ 3,6 bilhões com mensagens, mantendo o maior nível desde 2022, mas acumularam prejuízo de R$ 6 bilhões até setembro.
  • As postagens internacionais tiveram receita de aproximadamente R$ 1,1 bilhão, queda de quase R$ 2 bilhões em relação a 2024, contribuindo para a redução de participação no mercado.
  • O programa Remessa Conforme, criado pelo governo, provocou queda de R$ 2,2 bilhões na receita acumulada entre 2023 e 2025, impactando a base de clientes dos Correios.
  • O plano de reestruturação prevê cortar R$ 2 bilhões em gastos, fechar mil agências, reduzir 18% da folha com PDV e buscar R$ 8 bilhões adicionais, já tendo contratado empréstimo de R$ 12 bilhões; demanda receita de R$ 21 bilhões para 2027.
  • Entre 2019 e 2025, a participação dos Correios no mercado de encomendas caiu de 51% para 22%.

Correios continuam a registrar prejuízos, mesmo com leve recuperação das receitas com encomendas e mensagens. O valor acumulado até setembro de 2025 foi o maior desde 2022, mas o resultado trimestral ainda aponta perda expressiva.

Segundo demonstrações financeiras do 3º trimestre, os Correios tiveram receita de 7,2 bilhões com encomendas e 3,6 bilhões com mensagens. Em novembro, divulgado o prejuízo de 6 bilhões no período.

As postagens internacionais registraram queda de quase 2 bilhões em relação a 2024, chegando a 1,1 bilhão. O segmento respondia por mais de 20% da receita, mas perdeu espaço nos últimos anos.

Remessa Conforme e impactos

O programa Remessa Conforme, criado pelo Ministério da Fazenda em 2023, autorizou frete de mercadorias internacionais no Brasil por empresas de transporte, reduzindo a obrigatoriedade de distribuição pelos Correios. Resultado: queda de 2,2 bilhões na receita acumulada até setembro de 2023 a 2025.

Dados apresentados em coletiva mostram queda de participação de mercado em encomendas, de 51% no início do governo atual para cerca de 22% hoje. O presidente Emmanoel Rondon afirmou que o monopólio de cartas não é suficiente para financiar o serviço postal em locais deficitários.

Busca por recursos e empréstimos

Durante a coletiva, o presidente dos Correios disse que a empresa pretende levantar mais 8 bilhões para manter operações. A captação pode ocorrer via recursos do Tesouro ou novo empréstimo, com definição ainda em estudo.

Na semana anterior, os Correios anunciaram a contratação de um empréstimo de 12 bilhões para quitar dívidas. O objetivo inicial era levantar 20 bilhões, mas a taxa de juros inviabilizou o montante.

Plano de reestruturação

O plano estabelece corte de 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis e fechamento de mil agências, hoje em torno de 5 mil unidades. Será usado um Programa de Demissão Voluntária, com redução prevista de 15 mil postos em até dois anos, equivalente a 18% da folha.

O objetivo é transformar as contas para 2026, com Lucro esperado a partir de 2027. Também consta a reforma do plano de saúde para reduzir custos em 500 milhões por ano e venda de ativos no valor de 1,5 bilhão.

Perspectivas de receita e investimentos

A meta é chegar a 21 bilhões de receita em 2027. Em 2024, as receitas totais ficaram em 18,9 bilhões, ante 19,2 bilhões em 2023 e 19,8 bilhões em 2022. Entre 2027 e 2030, a empresa prevê investir 4,4 bilhões, com apoio de crédito do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics.

O foco do plano inclui automação de centros de tratamento, renovação de frota, descarbonização, melhoria de TI e redesenho da malha logística, conforme a gestão.

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