- O Pix completou cinco anos em novembro, criado pelo Banco Central em 2020, mas ainda exclui 23,6% dos brasileiros, segundo estudo divulgado pelo BC.
- As principais barreiras são a falta de internet e de smartphones, além de baixa escolaridade, menor renda, áreas rurais e deficiência, que dificultam o uso da ferramenta.
- Exemplos mostram a exclusão prática: moradores que preferem pagamento em dinheiro ou por terceiros, e pessoas com celulares antigos ou sem sinal de internet estável.
- Dados do BC indicam maior adesão entre jovens (91,2% entre 25 e 34 anos) e entre quem ganha mais de dez salários mínimos (91,7%), contra 43,9% entre pessoas com mais de 60 anos e 67,8% até dois salários mínimos.
- Especialistas defendem ampliar a inclusão com interfaces mais simples, suporte presencial ou por telefone e fila de Pix Offline, que está prevista para 2027 após adiamento.
O Pix, lançado pelo Banco Central em 2020, completa cinco anos em novembro. A ferramenta ainda exclui cerca de 24% dos brasileiros, especialmente os mais pobres, idosos, moradores de áreas rurais e com menor escolaridade, segundo pesquisas recentes. A adesão era de 76,4% em 2023.
Entre as barreiras, destacam-se a falta de acesso à internet, a ausência de smartphones e dificuldades de uso da tecnologia. Em estudo do Idec, grupos com pouca escolaridade e baixa renda enfrentam obstáculos cognitivos, técnicos, estruturais e culturais para adotar pagamentos digitais.
Os dados do BC mostram maior adoção entre jovens; 91,2% dos de 25 a 34 anos usam o Pix, contra 43,9% acima de 60. A renda também influencia: 91,7% entre quem ganha acima de dez salários mínimos versus 67,8% entre quem ganha até dois.
Há também quem tenha Pix, mas dependa de terceiros para operá-lo. Relatos de clientes indicam que a abertura de chaves, a navegação no aplicativo e a necessidade de internet estável dificultam pagamentos, levando a alternativas como dinheiro vivo ou pagamento por terceiros.
A conectividade é apontada como entrave fundamental. Dados da TIC Domicílios apontam que 15% não usam a internet, e a disponibilidade de smartphones varia conforme a renda. Em áreas com menor conectividade, a adesão ao Pix é ainda menor.
Especialistas destacam que a inclusão digital não pode parar na adesão. É preciso ampliar o acesso à internet, reduzir custos de dados e aperfeiçoar interfaces para diferentes níveis de alfabetização digital. A qualidade da inclusão é tão importante quanto a quantidade de usuários.
Outra frente de melhoria envolve suportes ao usuário. Atendimento presencial ou por telefone pode reduzir barreiras, especialmente para quem tem pouca familiaridade com tecnologia. O Pix Offline, anunciado pelo BC, ainda não saiu do papel e tem previsão de implementação apenas para 2027.
Enquanto as soluções não chegam, pessoas como Antonia Gonçalves buscam alternativas para não ficar para trás. A empresária de 76 anos participa de curso de informática e usa ajuda de familiares para realizar pagamentos pelo Pix, quando consegue acesso à internet.
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