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Empresas brasileiras mantêm cautela com mudanças previstas na Venezuela

Empresas brasileiras mantêm cautela na Venezuela, mas aguardam estabilização política e jurídica para reativar investimentos

Shopping center em Caracas: mercado da Venezuela perdeu importância na estratégia de companhias brasileiras ao longo das duas últimas décadas
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  • A captura de Nicolás Maduro pelas forças armadas dos Estados Unidos, no último sábado, amplia a perspectiva de mudanças na economia venezuelana, mantendo as empresas brasileiras cautelosas.
  • Companhias dos setores de calçados, higiene pessoal e cosméticos avaliam eventuais oportunidades caso haja estabilização política e econômica, com interesse de investidores de diversas regiões do Brasil.
  • A Calçados Bibi destaca que a Venezuela já foi um destino relevante e diz enxergar potencial para retomar exportações se houver maior estabilidade e abertura de mercado.
  • O Grupo Boticário mantém 13 lojas na Venezuela, concentradas em shopping centers; a Natura não opera de forma estruturada no país, vendendo produtos por meio de distribuidoras independentes.
  • A ABIHPEC afirma que não há impacto direto no momento; o Mercado Livre segue com operação estável na Venezuela, com 25 funcionários locais e lojas temporariamente fechadas por precaução.

Apesar da captura de Nicolás Maduro pelas forças armadas dos Estados Unidos no último sábado, empresas brasileiras mantêm cautela sobre a Venezuela. O movimento gerou expectativa de mudanças na economia venezuelana, com foco em estabilidade jurídica. Várias companhias avaliam cenários de retomada gradual de operações.

Empresas dos setores de calçados, cosméticos e higiene pessoal, que operaram no país até o início dos anos 2010, dizem considerar oportunidades caso haja estabilização política e econômica. O interesse vem de diferentes regiões do Brasil, incluindo Amazonas, Nordeste e Sul.

A Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria de Roraima aponta contatos recentes com interessados em desengavetar investimentos na Venezuela. A expectativa é de maior abertura de mercado e retomada de negócios entre os dois países.

Setor de calçados

A Calçados Bibi participou do comércio venezuelano de forma pontual em 2025, com volumes quase nulos. A empresa destaca que, no passado, a Venezuela foi entre os principais destinos de suas exportações, mas condições econômicas locais inviabilizaram operações.

A executiva ressalta que qualquer retomada seria positiva, desde que haja estabilização econômica mais consistente. A marca indica boa aceitação entre consumidores venezuelanos no passado e acredita em relação comercial sólida com ambiente estável.

Setor de higiene e cosméticos

O mercado venezuelano representa apenas 1,4% das exportações brasileiras do setor, conforme ABIHPEC. A entidade não observa impacto direto iminente, apesar da proximidade geográfica e histórica relação comercial.

Entre as maiores fabricantes brasileiras, Natura e Grupo Boticário atuam de forma distinta. Natura não mantém operação estruturada no país, mas seus produtos aparecem em anúncios via distribuidores independentes. O Grupo Boticário mantém 13 lojas na Venezuela, em oito cidades, com foco em shoppings.

Distribuição e atuação de lojas

As lojas do Boticário estão localizadas principalmente em shoppings de Caracas, Valencia, Barquisimeto, Maracaibo e outras cidades. A rede concentra operações em centros comerciais para atender público de maior renda, mesmo em cenário econômico desafiador.

A Natura encerrou operações estruturadas na Venezuela, mas seus produtos aparecem por meio de distribuidores de países vizinhos. A empresa não confirmou envolvimento direto nessas operações, segundo fontes próximas ao caso.

Mercado e perspectivas

O Mercado Livre mantém operação estável na Venezuela, com cerca de 25 funcionários locais. Escritórios permanecem fechados temporariamente como medida preventiva, sem incidentes relatados até o momento. A empresa ressalta vigilância contínua à segurança.

Especialistas destacam que a proximidade histórica e geográfica facilita possíveis retomadas entre Brasil e Venezuela, desde que haja sinais concretos de estabilização. Condições-chave incluem normalização de pagamentos, conversibilidade cambial e segurança jurídica para investimentos.

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