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Flor azul transforma renda de agricultores na Índia

Cultivo de flores de butterfly pea impulsiona renda de comunidades na Índia, com mulheres liderando produção diante da demanda global por corantes naturais

Butterfly pea grows wild across India
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  • Nilam Brahma, de Anthaigwlao, Assam, saiu do cultivo tradicional e começou a vender flores de butterfly pea, recebendo US$ 50 na primeira venda.
  • Ela investiu em secadores solares para secar as flores, preservando a cor e atendendo aos padrões dos compradores.
  • A demanda global por corantes naturais cresce; a FDA aprovou a flor como aditivo alimentar em 2021, enquanto a EFSA levantou preocupações em 2022 e a UE e o Reino Unido classificam a flor como alimento “novo”, exigindo aprovação.
  • Empreendedores na Índia, como a THS Impex, trabalham para desenvolver o mercado nacional, com contratos formais e suporte agronômico a produtores em Uttar Pradesh, envolvendo principalmente mulheres.
  • Em West Bengal, Pushpal Biswas viu a produção subir de 50 kg para 80 kg, expandiu a área de cultivo e criou uma rede comunitária de produtores.

O cultivo de bata-papo azul, a flor conhecida como butterfly pea ou aparajita, tem ajudado agricultores no nordeste da Índia a transformar a renda familiar. Beira de uma mudança de atividade, pequenos produtores passaram a vender flores secas para uso em chá e corantes, com ganhos iniciais expressivos.

Nilam Brahma, moradora de Anthaigwlao, em Assam, relata que a planta era apenas uma trepadeira comum até conhecer as mulheres da região que exploram o comércio das flores. O primeiro rendimento significativo, de cerca de 50 dólares, veio ao experimentar a venda das flores secas.

A adoção do cultivo ganhou impulso após Brahma investir em secadores solares, com o objetivo de manter a cor das flores e atender padrões de qualidade dos compradores. O empreendimento evoluiu para uma microempresa, com crédito obtido para ampliar a produção.

Mercado global e barreiras regulatórias

O interesse internacional pelo pigmento natural derivado das flores cresce, impulsionado pela busca por corantes naturais diante de regulamentações mais rígidas sobre corantes sintéticos na UE e nos EUA. A FDA aprovou o uso da flor como aditivo alimentar em 2021, mas a EFSA levantou preocupações de segurança em 2022.

A UE e o Reino Unido classificam a butterfly pea como alimento inovador, exigindo aprovação antes de uso generalizado. Ainda assim, empreendedores indianos veem potencial para desenvolver o mercado doméstico e exportação, com apoio a produtores e padrões de cultivo.

Desafios e caminhos para os produtores

Especialistas ressaltam que a cultura ainda é tratada, em muitos lugares, como ornamentais ou medicinais, sem um mercado estruturado, classificação governamental ou mecanismo de precificação estável. Por isso, agricultores permanecem incertos sobre o retorno financeiro.

Parcerias com cooperativas e programas de assistência técnica são apontadas como soluções para elevar padrões de produção, gestão de irrigação e práticas agrícolas específicas. Em Uttar Pradesh, uma rede de produtores familiares recebe contratos formais e suporte técnico para aumentar a qualidade das flores.

Impacto local e perspectivas

Entre os produtores, a expansão envolve comunidades inteiras, incluindo um número expressivo de agricultoras. O cultivo tem sido apresentado como oportunidade de melhoria de renda, com ganhos que motivam a expansão da área plantada e o aluguel de novas terras.

Por fim, há evidências preliminares de benefícios à saúde em estudos com humanos, além de pesquisas em andamento que investigam os efeitos do chá feito com a flor. Especialistas destacam a necessidade de mais pesquisas para consolidar o papel da butterfly pea no mercado de alimentos e bebidas.

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