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Mercados emergentes sobem em 2026 e indicam rali sustentável

Dólar fraco e entrada de capitais sustentam o rali de mercados emergentes, com 2026 exigindo seletividade para manter ganhos

Gráfico de FOREX em holograma, vista aérea panorâmica noturna da cidade de Bangkok
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  • Em 2025, mercados emergentes tiveram recuperação expressiva, superando os EUA pela primeira vez em quase uma década, com o Ibovespa fechando o ano perto de alta de 34%.
  • O dólar enfraqueceu significativamente, o que favoreceu ativos de mercados emergentes e levou a valorização de moedas desses países frente ao dólar.
  • Analistas apontam que o rali tem fundamentos estruturais: déficits fiscais menores que os desenvolvidos, espaço para afrouxamento monetário e fluxos de capitais retornando a economias emergentes.
  • O movimento é visto como potencial para 2026, mas exige seletividade, não exposição ampla, com foco em empresas de qualidade e em ajustes de posicionamento internacional.
  • Brasil aparece como principal aposta de alguns gestores para 2026, devido a juros em queda, inflação sob controle e potencial político-institucional favorável; Índia e Argentina aparecem como cenários com potencial, mas com ressalvas.

A recuperação das ações de mercados emergentes ganhou força em 2025, com o Ibovespa brasileiro fechando o ano perto de uma alta de 34%. O desempenho superou, pela primeira vez em quase uma década, os papéis de economias desenvolvidas, especialmente os EUA. O rali tem sido visto por especialistas como mais estruturado do que passageiro.

Analistas apontam que o cenário favorável não depende de apostas generalizadas, mas de seletividade e de fatores macroeconômicos que podem se manter em 2026. Entre eles, a expectativa de dólar mais fraco e cortes de juros em alguns países emergentes. Também houve uma valorização ampla das moedas desses mercados.

Dados de 2025 indicam ganhos expressivos nos ativos locais: ações com altas superiores a 30%, e resultados positivos nas moedas diante do dólar em boa parte do período. Esse movimento ocorreu em meio à diversificação de capitais para fora dos EUA, em contexto de turbulência política global.

Mudanças estruturais e cenário para 2026

Joyce Chang, presidente de Pesquisa Global do J.P. Morgan, aponta que a fraqueza do dólar pode sustentar o impulso, servindo de alicerce para o rali. A queda do dólar no ano foi a mais intensa desde 2017, fortalecendo moedas emergentes e incentivando fluxos de capitais.

Varun Laijawalla, gestor da Ninety One, destaca que a combinação de dólar mais fraco, déficits fiscais mais moderados e avaliações atrativas favorece uma recuperação sustentável. Ele observa que, historicamente, períodos de desvalorização do dólar costumam coincidir com retornos positivos em emergentes.

Para Malcolm Dorson, Global X, o rali de 2025 não foi exclusivo dos emergentes: houve rotação de portfólios globais para além dos EUA. A diversificação pode continuar a sustentar o movimento, desde que haja posicionamento seletivo e reprecificação de ativos. A visão é de que o cenário macro e os fluxos de capital moldem o tamanho da resposta em 2026.

Países e setores em foco

Entre os mercados emergentes, a América Latina recebe atenção especial para 2026, com o Brasil despontando como aposta relevante. A atratividade vem de juros elevados, inflação em desaceleração e perspectiva de afrouxamento monetário, além de potencial impacto político com a eleição presidencial de outubro de 2026.

Para Baillie Gifford, o Brasil representa oportunidade com condições macroeconômicas atrativas e empresas nacionais fortes. Especialistas ressaltam que mudanças na política de juros e na condução econômica podem afetar significativamente os preços dos ativos do país.

A Argentina figura como caso de menor alocação, com relação valor de mercado a PIB bem inferior ao Brasil e aos EUA, o que condiciona o potencial de retorno. Já a Índia é vista como cenário mais complexo, com fundamentos sólidos, mas tensões comerciais que podem restringir ganhos de curto prazo.

Keiller, da Baillie Gifford, enfatiza cautela: a Índia pode parecer cara no curto prazo, enquanto o caso de longo prazo segue promissor. A percepção de convergência entre condições macroeconômicas globais e emergentes reforça a visão de que o espaço para ganhos pode ser persistente.

Em linhas gerais, especialistas destacam a importância da seleção de ações e da entrada gradual de capitais, em vez de apostas por índices. Mesmo com o bom desempenho recente, o espaço para aportes adicionais permanece amplo, com menos de um terço dos fundos globais superalocados em emergentes.

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