- Estudo do MIT, publicado em Nature Cities, analisou 142 países entre 1993 e 2023 e mostra que cidades com voos diretos atraem mais subsidiárias de firmas multinacionais, especialmente em setores de conhecimento.
- A pesquisa acompanhou 7,5 milhões de firmas em 800 cidades com aeroportos e mais de 400 mil rotas internacionais, considerando apenas voos entre países.
- Cidades acessíveis apenas por uma conexão têm 20% menos subsidiárias multinacionais e cidades que exigem duas conexões, 34% a menos, impactando também a criação de novas firmas.
- O centralidade de grau — quantas cidades diretas uma cidade tem — aumenta a quantidade de subsidiárias; contudo, a conectividade entre as cidades conectadas também é um dos maiores impulsionadores do crescimento.
- O efeito é mais forte em indústrias de conhecimento, como finanças, onde a presença física facilita interações e construção de confiança entre empresas.
O estudo, realizado por pesquisadores do MIT, analisa viagens aéreas diretas e ligações entre aeroportos-chave para entender como afetam a expansão de empresas multinacionais. Os resultados apontam que cidades conectadas por voos diretos atraem mais subsidiárias de firmas globais.
Foram analisados 142 países entre 1993 e 2023. A base inclui 7,5 milhões de firmas em 800 cidades com aeroportos, cobrindo mais de 400 mil rotas internacionais. Dados de voos são da Organização Internacional de Aviação Civil; informações de empresas vêm do Orbis, da Moody’s.
Resultados mostram que cidades acessíveis apenas por uma escala possuem 20% menos subsidiárias de multinacionais do que cidades com voos diretos. Com duas escalas, a queda aumenta para 34%. Em termos de impacto esperado, isso representa 1,8% e 3,0% menos novas firmas por ano, respectivamente.
A conectividade tem peso maior em setores de conhecimento, como finanças, onde encontros presenciais geram maior confiança e reduzem assimetria de informação. Em manufatura, infraestrutura rodoviária e transporte oceânico ganham relevância relativa.
Impacto da conectividade
A pesquisa destaca que não basta medir o número de cidades ligadas diretamente. O efeito mais forte ocorre quando as cidades ligadas também possuem ligações diretas entre si, ampliando o fluxo de informações e oportunidades entre empresas associadas.
Outra constatação é a importância da escolha estratégica de conexões. O estudo aponta que saber com quem uma cidade mantém vínculos diretos ajuda a prever o desempenho de suas subsidiárias, especialmente em ambientes globais.
Dados e fontes
Os autores ressaltam a consistência do efeito ao longo de 30 anos, mesmo com avanços como videoconferência e crises globais. A pesquisa utiliza dados da ICAO e do Orbis, cobrindo firmas situadas a no máximo 60 km de um aeroporto.
Entre na conversa da comunidade