- Comerciantes e analistas esperam que refinarias independentes da China troquem o petróleo venezuelano por crude pesado de fontes como o Irã nos próximos meses, após os embarques terem sido interrompidos.
- O acordo entre Caracas e Washington para exportar até US$ 2 bilhões em crude venezuelano para os EUA pode reduzir o fornecimento à China.
- Os cargões de Merey, crude venezuelano, estavam sendo vendidos com desconto de cerca de US$ 10 por barril em relação ao Brent, com algumas ofertas em torno de US$ 11 sob o Brent; carregamentos para a Ásia pararam desde 1º de janeiro.
- O armazenamento flutuante ainda cobre cerca de 75 dias de demanda chinesa; os teapots devem buscar suprimentos russos e iranianos em março e abril, além de fontes não sancionadas como Canadá, Brasil, Iraque e Colômbia.
- Os descontos de crude canadense, como Cold Lake e Access Western Blend, aumentaram para US$ 4–5 por barril acima do Brent para entrega em abril; o Irã é citado como opção barata.
O mercado de petróleo percorre mudanças importantes: refinadores independentes da China devem migrar de crude venezuelano para jazidas pesadas de Irã e outros fornecedores nos próximos meses, segundo traders e analistas.
A decisão acontece após a cobrança de exportação venezuelana para os Estados Unidos, com acordo entre Caracas e Washington para levantar até 2 bilhões de dólares em crude venezuelano, informou o presidente dos EUA. A medida redesenhou fluxos globais.
A China, maior importador mundial de crude, vinha comprando volumes significativos de Merey venezuelano. Com o halt nas entregas ao redor de janeiro, o abastecimento diário de Venezuela para a China ficou sob pressão, conforme dados de mercado.
Mudança de fontes
Analistas afirmam que as refinarias independentes da China devem buscar heavies de Irã e Rússia, já com oferta abundante, para compensar o corte venezuelano. A ideia é manter o custo baixo sem depender de petróleo sancionado.
A oferta de Merey venezuelano para entrega rápida caiu, com os carregamentos emergentes sendo oferecidos com descontos menores que os praticados no mês anterior. O cenário reajusta margens de refino para os teapots chineses.
Perspectivas de curto prazo
A disponibilidade de crude venezuelano em áreas asiáticas ainda cobre cerca de 75 dias da demanda chinesa, limitando momentaneamente qualquer alta expressiva para barris alternativos, segundo a análise de mercado.
Os compradores independentes podem migrar para fornecimentos russos e iranianos em março e abril, com fontes não sancionadas como Canadá, Brasil, Iraque e Colômbia também viáveis. O Irã aparece favoravelmente posicionado.
Preços e margens
O petróleo venezuelano Merey para entrega imediata tem mostrado descontos em torno de 10 dólares por barril em relação ao ICE Brent, ante margens mais amplas no mês anterior, conforme operadores. Ainda assim, o volume de negócios permanece reduzido.
Além disso, descontos para crude canadense Incrementam-se, com cortes acima de 2 dólares por barril para entregas em abril, sinalizando expectativas de demanda americana menor e impacto sobre fluxos para a China.
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