- Em 2025, as retiradas da poupança superaram os depósitos em 85,6 bilhões de reais, totalizando 4,36 trilhões contra 4,27 trilhões.
- Foi o quinto ano seguido de saída de recursos, sendo a evasão mais alta desde 2023; o saldo final disponível caiu para 1,02 trilhão de reais.
- A combinação de juros elevados, aumento do endividamento e da inadimplência ajudou a frear a atratividade da poupança frente a outras aplicações, como renda fixa.
- O governo sinalizou mudanças nas regras de crédito imobiliário para liberar mais recursos captados pela poupança, incluindo a possível extinção gradual dos depósitos compulsórios vinculados a esse negócio.
- Analistas apontam que, com a Selic alta (15% ao ano) e queda de atratividade da poupança, alternativas como Tesouro Selic, CDBs e renda variável podem ganhar espaço, especialmente em cenários de maior volatilidade em 2026.
O Banco Central (BC) informou que a caderneta de poupança registrou saída de recursos de 85,6 bilhões de reais em 2025. Os depósitos somaram 4,27 trilhões de reais, enquanto as retiradas totalizaram 4,36 trilhões, configurando o quinto ano consecutivo de saída. O estoque total aplicado caiu para 1,02 trilhão de reais no fechamento de 2025, ante 1,03 trilhão em dezembro de 2024.
O contexto macroinclui juros elevados, aumento do endividamento e da inadimplência. A poupança perdeu atratividade frente a aplicações de renda fixa, como títulos públicos e CDI, e o mercado acionário apresentou desempenho positivo em 2025, com o Ibovespa registrando alta expressiva.
Impacto no crédito imobiliário
Com o volume de recursos na poupança estagnado, o crédito imobiliário enfrentou impactos. Pela regra atual, 65% dos recursos captados pela poupança deveriam ser destinados ao financiamento da casa própria, o que vem sendo reavaliado em meio a mudanças regulatórias anunciadas pelo governo.
Cenário da economia
A taxa de inadimplência média nas operações de crédito permaneceu em 3,8% em novembro, próximo do recorde de 4%. O endividamento das famílias com bancos atingiu 49,3% da renda nos doze meses até outubro, maior nível desde novembro de 2022.
Perspectivas e atratividade de alternativas
A poupança mostra pouca competitividade frente a renda fixa e a renda variável reagiu positivamente em 2025, com ganhos no mercado de ações. A taxa Selic está em 15% ao ano, enquanto a poupança rende 0,5% ao mês mais a variação da TR quando a Selic fica acima de 8,5% ao ano.
Especialistas destacam que, para 2026, a poupança tende a ser reserva imediata, enquanto títulos como Tesouro Selic, CDBs com liquidez diária e fundos imobiliários podem ganhar espaço. A diversificação e a avaliação de riscos passam a ser centrais para quem busca patrimônio de médio a longo prazo.
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