- Após vinte e cinco anos de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia entrou na fase de assinatura e ratificação, com impactos diretos no agronegócio brasileiro.
- No curto prazo, há destravamento de cotas com tarifas reduzidas ou zeradas para produtos centrais da pauta agroexportadora; no médio e longo prazos, a UE passa a funcionar como mercado-baliza, influenciando padrões sanitários, ambientais e de consumo.
- Em 2025, a UE representou 14,3% das exportações do Brasil e 14,9% das exportações do agronegócio, correspondendo a US$ 49,8 bilhões e US$ 25,2 bilhões, respectivamente.
- Principais ganhos previstos para o agro brasileiro: café, suco de laranja e outros sucos, frutas frescas, óleos vegetais, pescados e, na pauta de carnes, bovina, aves e suínos; além de açúcar, arroz, mel, milho e sorgo com cotas, e bebidas como cachaça e derivados lácteos com margens específicas.
- Desafios e governança: salvaguardas, regras de origem e requisitos de sustentabilidade (como a Lei de Desmatamento da UE) podem exigir compliance mais rígido, elevando custos, principalmente para pequenos e médios produtores.
Após 25 anos de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia avança para assinatura e ratificação, com impactos diretos no agronegócio brasileiro. A abertura gradual da UE para carnes, açúcar, etanol, grãos e frutas pode elevar o valor agregado das exportações do Brasil e ampliar o acesso a um mercado exigente.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que o acordo reúne cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB superior a US$ 22 trilhões. O texto é visto como o maior contrato já negociado pelo Mercosul e um dos maiores da UE com parceiros comerciais.
Para a visão de especialistas, o acordo representa ganhos significativos para setores já competitivos, com redução ou eliminação de tarifas. Contudo, há ressalvas sobre concorrência para setores menos preparados e custos de adaptação para produtores médios e pequenos.
No curto prazo, a pauta prevê cotas com tarifas reduzidas ou zeradas para itens-chave da agroexportação. A médio e longo prazo, a UE pode atuar como mercado-baliza, influenciando padrões sanitários, ambientais e de consumo.
Entre os itens com ganhos, destacam-se carne bovina, aves e suínos, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e frutas frescas. A cachaça terá liberalização gradual, com volumes e tarifas definidos ao longo de cinco anos. Queijos, iogurte e manteiga também entram em regimes de preferência variados.
Do lado europeu, a pauta inclui azeite, vinhos e laticínios. A entrada de produtos com maior valor agregado pode aumentar a concorrência nesses segmentos no Mercosul, segundo analistas.
O acordo também impõe salvaguardas e exige conformidade com regras ambientais, incluindo a Lei Antidesmatamento da UE. Produtos ligados a desmatamento após 2020 devem comprovar origem responsável, o que configura o tratado como “comércio condicionado”.
Especialistas observam que o ganho para o agronegócio brasileiro é mais de eficiência regulatória e previsibilidade, com efeito gradual ao longo dos anos. A avaliação de impacto aponta possível aumento de até 2% na produção agroindustrial no longo prazo, dependendo da execução.
A implementação envolve desafios, como custos de adequação para produtores de menor escala e necessidade de investimentos em rastreabilidade e padrões de sustentabilidade. Pequenos produtores podem exigir apoio técnico para manter competitividade.
Entre os países do Mercosul, a Argentina foca em carne bovina premium, óleos e vinhos; o Uruguai reforça posição em carnes e lácteos com rastreabilidade; o Paraguai ganha competitividade em soja e carne bovina. Todos operam sob regras definidas pela UE.
Na prática, o acordo entrega previsibilidade, abertura de mercados e estímulo a cadeias de maior valor no Brasil. As primeiras fases já apontam as cotas e as salvaguardas que restringem ou liberam o acesso conforme cumprimento de normas.
A avaliação geral aponta que o êxito depende da capacidade de implementação. Para alguns especialistas, a negociação é o início de um novo regime comercial que pode exigir ajustes contínuos dos setores exportadores.
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