- A Tesco diz que mira ganhar participação de mercado ainda maior em 2026, após fechar o Natal com a melhor fatia em mais de uma década, quase 29% do mercado segundo Worldpanel by Numerator.
- As ações da rede caíram quase 5% após o anúncio, com analistas destacando que o desempenho do terceiro trimestre ficou aquém das expectativas em todos os mercados, incluindo Reino Unido, Irlanda, Europa Central e a unidade de atacado Booker.
- No Reino Unido, as vendas cresceram 3,2% nos seis semanas até 3 de janeiro, frente a 3,9% esperados; na Europa Central houve alta de 0,8% e as vendas da Booker caíram 2,1% frente a uma previsão de alta de 0,8%.
- O CEO, Ken Murphy, afirmou não estar preocupado com o aspecto das vendas e disse que Booker foi impactada por tabaco de baixo lucro; ressaltou que a inflação ficou abaixo da média do setor por manter preços estáveis.
- A Tesco projeta lucro anual em torno de £ 3,1 bilhões, no teto das expectativas, e enxerga 2026 com cenário relativamente positivo devido à resiliência do emprego e ao forte relacionamento com fornecedores, que ajuda a manter preços competitivos.
A Tesco espera ampliar ainda mais sua participação no mercado de alimentos em 2026, após conquistar a sua melhor fatia em mais de uma década durante o Natal, com forte desempenho em itens frescos e na linha Finest. A empresa detém quase 29% de participação, segundo Worldpanel por Numerator, e afirmou ter levado a maior fatia do mercado da Asda, terceira maior rede britânica.
As ações da Tesco registraram queda de quase 5% na manhã de quinta-feira, após analistas apontarem que o desempenho do terceiro trimestre ficou aquém das expectativas em todos os mercados, incluindo Reino Unido, Irlanda, Europa Central e a operação de atacado Booker. O recuo coincidiria com resultados abaixo do esperado para o período.
UK, Europa Central e Booker
No Reino Unido, as vendas cresceram 3,2% nos seis semanas encerradas em 3 de janeiro, frente a uma previsão de 3,9%. Em Europa Central, o crescimento foi de 0,8%, cerca de metade do esperado. O Booker, braço de atacado da rede, teve queda de 2,1% nas vendas, contra um ganho previsto de 0,8%.
Desempenho e perspectivas
Ken Murphy, CEO da Tesco, afirmou não estar preocupado com o desempenho de vendas e informou que o Booker foi impactado principalmente por produtos de tabaco, de margem baixa. O executivo ressaltou que o ajuste de preços foi uma estratégia para manter o nível de competitividade durante o Natal e reduzir a inflação acima do observado no setor.
A análise de mercado ficou dividida entre expectativas e consistência financeira. Aarin Chiekrie, analista de ações da Hargreaves Lansdown, disse que a Tesco decepcionou quem esperava expansão de lucros, mas destacou a escala e a relação com fornecedores como fatores de resistência diante do ambiente macroeconômico.
Murphy também afirmou que a inflação ficou abaixo da média do setor, segundo a Worldpanel, e que a empresa manteve preços competitivos para sustentar as vendas. Ele reforçou a postura de responder rapidamente a eventuais ataques de preço por parte da concorrência e ressaltou que o consumo, próximo ao Natal, mostrou resiliência.
Contexto regulatório e cenário macro
O executivo comentou que não vê impacto material do orçamento governamental de novembro sobre o gasto das famílias, que continuam buscando valor. Avalia ainda que o sentimento do consumidor é misto, com orçamentos mais fortes em algumas casas e ajustes rigorosos em outras.
Perspectivas para 2026
Murphy projetou um cenário relativamente positivo para 2026, destacando a resiliência do emprego como fator central para a confiança do consumidor. A Tesco continua operando com foco em manter preços competitivos e ampliar participação de mercado, sobretudo diante de ameaças competitivas no varejo.
Boas-vindas ao futuro e medidas internas
A empresa indicou que não se preocupa com novas proteções aos trabalhadores previstas no projeto de lei de direitos trabalhistas, pois já adotou muitas dessas medidas. Em contrapartida, reforçou o pedido para reformar o sistema de impostos sobre negócios, afirmando que o varejo paga parcela injusta frente ao restante do setor.
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