- Analistas do Bank of America questionam o ciclo de alta de vinte anos das marcas de tênis, apontando que as perspectivas de crescimento estão reduzidas.
- A visão de que o boom dos tênis acabou provocou um duplo rebaixamento da Adidas, que recebeu recomendação menos favorável pelo banco.
- Hoje, os tênis respondem por cerca de sessenta por cento das vendas de calçados nos Estados Unidos.
- Espera-se que o crescimento do setor de artigos esportivos caia de cerca de nove por cento ao ano desde 2007 para em torno de quatro a cinco por cento no futuro.
- Mesmo com o recuo, analistas destacam que a demanda por calçados casuais permanece, com alguns sinais de estabilização após a pandemia e possibilidade de recuperação gradual.
O auge do mercado de tênis pode estar chegando ao fim. Analistas do Bank of America revisaram o ciclo de alta das marcas esportivas, afirmando que o crescimento deverá desacelerar após quase 20 anos de expansão global. A avaliação foi divulgada em uma análise interna de 61 páginas.
Segundo o relatório, Adidas, Nike e Puma lideraram a movimentação, impulsionadas pela preferência por calçados casuais em vez de sapatos formais. O estudo aponta que a pandemia acelerou esse efeito, com trabalho remoto alimentando a demanda por modelos mais confortáveis.
Os analistas destacam que o setor vivenciou um ciclo de alta estruturado, que elevou o tênis de menos de 25% das vendas globais de calçados para a metade. Com alterações estruturais já consolidadas, o crescimento de receita pode ficar abaixo do observado nos últimos anos.
A publicação gerou reação entre o mercado. Ações da Adidas recuaram até 7,6% na terça-feira, antes de recuar parte da queda. Dados da indústria apontam que os tênis representam hoje cerca de 60% das vendas de calçados nos EUA.
Especialistas citados pela Bloomberg destacam que a demanda por calçados esportivos continua resiliente, com crescimento da categoria de tênis nos EUA em 4% no último ano, enquanto a moda caiu 3%.
Alguns analistas contestam a leitura de que o ciclo acabou. Observam que o varejo de tênis ganhou força com o consumo de itens casuais, marcas de luxo lançando modelos sofisticados e a consolidação de players como Hoka e On.
O Bank of America sustenta que o setor ainda pode enfrentar um caminho de recuperação lento, sobretudo diante de volatilidade macroeconômica e tensões comerciais. A visão é de que o tênis pode estabilizar, mas sem o vigor observado no passado.
Perspectivas e reações do mercado
- Analista da Bloomberg Intelligence aponta que a categoria ainda opera em ambiente mais estável, sem sinais de queda abrupta.
- Observadores destacam que o crescimento anual futuro do setor pode ficar entre 4% e 5%, diante de mudanças de hábitos e de tarifas.
- A pesquisa aponta que o varejo físico e on-line seguem integrados, com demanda variando conforme o cenário econômico global.
No curto prazo, o debate continua entre otimismo moderado e cautela, sem indicar uma reversão imediata do cenário de casualização. As avaliações ressaltam que o setor pode manter desempenho estável, ainda que abaixo do pico recente.
As informações são baseadas em análise de mercado divulgada pela Bloomberg, com contextualização de dados de comércio e desempenho de marcas líderes como Adidas, Nike e Puma. O relatório completo foi elaborado pela equipe de análise do Bank of America.
*– Com a colaboração de Isolde MacDonogh.*
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