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Juros do cartão de crédito sobem nos EUA; Trump propõe limite de 10%

Trump propõe teto de dez por cento para juros de cartão de crédito por um ano, pressionando bancos emissores e pode restringir crédito a famílias

Após a crise financeira, as taxas de cartões de crédito subiram para mais de 10%. (Foto: Simon Dawson/Bloomberg)
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  • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu que bancos emissores de cartões limitem as taxas de juros a 10% por um ano.
  • O alvo inclui grandes emissores como JPMorgan Chase, Capital One Financial e Citigroup.
  • Atualmente, as taxas de juros dos cartões ficam em torno de 21%, acima de 20% nos últimos anos.
  • Grupos do setor afirmam que um teto de 10% reduziria acesso ao crédito e seria devastador para famílias e pequenas empresas.
  • Se aprovado, o limite poderia levar bancos a encerrar ou reestruturar linhas de crédito, aumentar pagamentos mensais ou adicionar taxas extras.

O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu que bancos emissores de cartões de crédito limitem as taxas de juros a 10% por um ano. A proposta atinge grandes emissores como JPMorgan Chase, Capital One e Citigroup e busca reduzir o custo do crédito para consumidores, segundo fontes divulgadas neste fim de semana.

O movimento acontece após a semana de ataques públicos do governo contra custos de habitação, ampliando a pressão sobre o setor financeiro. Analistas avaliam o efeito direto sobre a lucratividade dos bancos, que dependem de taxas de juros elevadas para compensar inadimplência.

Em resposta ao pleito, associações do setor defenderam cautela. O Bank Policy Institute e a Consumer Bankers Association disseram apoiar o objetivo de crédito mais acessível, mas alertaram que teto de 10% reduziria disponibilidade de crédito.

O custo atual do crédito com juros, segundo o Fed, fica em torno de 21% ao ano. Já a taxa fixa de hipoteca de 30 anos fica acima de 6%, conforme Freddie Mac, criando um contraste relevante para o consumidor.

Os bancos argumentam que a dívida de cartão sem garantia exige juros mais altos para cobrir perdas quando mutuários atrasam pagamentos, já que não há ativos como casa ou carro para retomada.

No passado recente, as taxas de cartão superaram 10% após a crise financeira, enquanto empréstimos imobiliários mostraram redução. Em 2024, o JPMorgan reportou rendimento líquido de quase US$ 10 bilhões em empréstimos de cartões, com forte contribuição de sua unidade de serviços de cartão.

Se um teto de 10% fosse adotado, a estrutura de crédito milimétrica dos emissores poderia exigir mudanças significativas, como fechamento ou reestruturação de linhas de crédito, elevação de pagamentos ou cobrança de taxas. A estimativa de desempenho varia entre analistas.

Especialistas destacam que emissores voltados a clientes de renda mais baixa e com histórico de crédito menos sólido seriam os mais impactados, citando Capital One, Synchrony Financial e Bread Financial como exemplos.

Cooperativas de crédito também sinalizam impactos severos, indicando que muitos associados poderiam perder acesso a cartões com esse limite. Em contrapartida, alguns cenários sugerem redução de recompensas ou promoções para compensar margens.

O cenário regulatório permanece incerto. Mesmo com sinais de apoio a medidas mais restritivas, não ficou claro como Trump tentaria impor o limite de 10% de forma eficaz nos dias seguintes, além do uso de sua influência pública.

Contexto regulatório

As ações de bancos diante da eventual mudança geram expectativa de impacto setorial. O índice KBW Bank subiu fortemente desde as eleições de 2024, refletindo o otimismo com desregulamentação no setor.

Autoridades e legisladores têm dialogado sobre modelos de regulação, com propostas apresentadas ao longo de 2019 e 2020 e reavaliadas em ciclos recentes. A indústria enfatiza a necessidade de equilíbrio entre crédito acessível e sustentabilidade de ganhos.

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