- Setenta economistas europeus pedem que o euro digital leve em consideração o interesse público e reduza a dependência de provedores estrangeiros, incluindo moedas estáveis de origem privada.
- A carta aberta foi publicada pelo Sustainable Finance Lab da Universidade de Utrecht, em meio à preparação da UE para a legislação final sobre o tema.
- Os signatários destacam três características essenciais: infraestrutura de pagamento soberana baseada em fornecedores nacionais com alto padrão de privacidade, dinheiro digital público acessível a todos e um limite de detenção que garanta valorização estável.
- O Banco Central Europeu afirma que o euro digital deve ampliar a arquitetura financeira europeia e funcionar como dinheiro de banco central no formato digital, com propostas para ampliar ativos seguros e financiar bens públicos comuns.
- O cronograma vê fases técnicas nearly prontas, com transações piloto possivelmente a partir de 2027 e emissão inicial em 2029, além de incluir versão offline para pagamentos sem internet. Public acceptance ainda é incerta.
Dois a três parágrafos iniciais de texto antes de qualquer subtítulo:
Setenta economistas europeus pedem aos legisladores da UE que priorizem o interesse público na writtenien da moeda digital europeia, evitando que o projeto dependa de moedas estáveis privadas. A carta aberta, publicada neste domingo pela Sustainable Finance Lab da Universidade de Utrecht, surge enquanto o Parlamento Europeu se encaminha para finalizar a legislação sobre o euro digital. O objetivo é evitar que a Europa use sistemas de pagamento estrangeiros ou moedas estáveis lastreadas em dólar como opção dominante.
Os signatários afirmam que a infraestrutura de pagamentos europeia está cada vez mais concentrada em operadores não europeus. Doze países da zona do euro dependem integralmente de esquemas de cartão internacionais para transações básicas de varejo, segundo o documento. A carta alerta que essa dependência expõe cidadãos, empresas e governos a alavancas geopolíticas e a riscos que fogem ao controle europeu.
Mudança de rumo essencial para o euro digital
Entre os signatários estão ex-dirigentes de bancos centrais e economistas de destaque, como Thomas Piketty e Paul De Grauwe. Eles defendem três características centrais: o euro digital deve ser a espinha dorsal de uma infraestrutura de pagamentos soberana, com provedores domésticos e alto nível de privacidade; deve ser um dinheiro público acessível a todos para promover inclusão financeira; e precisa oferecer um depósito de valor confiável, com limites de atuação compatíveis com o uso pretendido.
Eles alertam que, sem esses elementos, o projeto pode falhar em alcançar seu potencial. A carta questiona se os europeus vão manter o controle sobre seu dinheiro na era digital ou permitir que outros o controlem.
ECB situando o euro digital como ativo seguro
O membro do Conselho Executivo do BCE, Philip Lane, reforçou a visão do euro digital em um discurso de 9 de janeiro à Sociedade Econômica da Dinamarca. Ele posiciona o euro digital dentro de uma estratégia de fortalecer a arquitetura financeira europeia, destacando que mudanças estruturais e choques geopolíticos exigem resposta por meio da união monetária.
Lane lembrou a escassez de ativos seguros na Europa, observando que o Bund alemão isoladamente não atende à demanda global por títulos em euros. Apontou possibilidades como ampliar títulos públicos comuns para benefícios europeus e a ideia de reformular títulos com proteção de receitas de cada estado-membro.
Avanços políticos e próximos passos
As preparações técnicas avançam após a decisão do BCE, em outubro, de entrar na fase de preparação. Christine Lagarde confirmou, no mês passado, que o BCE já fez o trabalho e levanta a responsabilidade aos órgãos da UE para aprovar a legislação. A presidente sinalizou que transações piloto podem ocorrer em meados de 2027, com a primeira emissão potencial em 2029, caso o arcabouço seja aprovado no próximo ano.
O Conselho da UE também já definiu posição de negociação, estabelecendo um marco com opções de pagamentos online e offline. A versão offline permitiria transações entre dispositivos sem internet, oferecendo privacidade semelhante ao dinheiro vivo para pagamentos de baixo valor, sem perder conformidade com regras de combate à lavagem de dinheiro.
Perspectiva pública e desafios regulatórios
Lagarde ressaltou que o euro digital complementaria a moeda física, dentro do arcabouço MiCA para stablecoins compatíveis. Essas moedas privadas seriam vistas como uma forma alternativa de pagamento, considerada segura sob certas condições regulatórias. Ainda há incerteza quanto à aceitação pública, com pesquisas recentes do BCE indicando que muitos europeus veem pouca necessidade de uma nova opção de pagamento.
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