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Mineração de ouro na Amazônia pode transformar tóxico em oportunidade econômica

Formalizar garimpo pode transformar passivo tóxico em oportunidade econômica, com recuperação de tailings e criação de empregos formais no Tapajós

After burning off the mercury, a relatively pure piece of gold remains. Image by Thomas Graham for Mongabay.
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  • O garimpo informal na Amazônia causou devastação de centenas de milhares de hectares e libera mercúrio nas bacias, com 75% de Santarém com níveis elevados e riscos para comunidades ribeirinhas.
  • Há uma oportunidade econômica: reprocessar tailings com ouro restante estimado entre 1.400 e 2.100 toneladas, valendo entre $89 bilhões e $134 bilhões, usando tecnologia mais eficiente.
  • A transição para cianeto (heap leaching) pode recuperar adicionalmente de 30% a 40% do ouro remanescente, se acompanhada de reformas regulatórias e controles ambientais rigorosos.
  • O modelo de Tapajós, em Itaituba, indica potencial de 9.000 a 13.000 empregos formais e a necessidade de 15 a 25 instalações de média escala para processar tailings ao longo de 15 a 20 anos.
  • Em escala Pan-Amazon, a recuperação de tailings e restauração ambiental poderiam gerar entre 170.000 e 225.000 empregos formais, além de receitas e royalties capazes de financiar remoção de mercúrio e restauração de habitat degradado.

A mineração de ouro artesanal na Amazônia deixou um legado tóxico e, ao mesmo tempo, uma oportunidade econômica. Estima-se que 350 mil hectares de florestas e áreas úmidas foram destruídos por garimpos ao longo da Pan-Amazônia. A contaminação por mercúrio atinge comunidades ribeirinhas e atravessa ecossistemas.

No Tapajós, no Pará, Itaituba lidera a atividade há cinco décadas, com dezenas de milhares de hectares degradados e emissões anuais de mercúrio entre 200 e 500 toneladas. Estudos indicam que 75% da população de Santarém apresenta mercúrio elevado no corpo, gerando risco de bioacúmulo a partir da água.

A análise aponta que a transição para tecnologia de cianureto, usada por mineradores formais, pode recuperar 30-40% adicional do ouro remanescente nos rejeitos. Hoje, a mineração informal usa amalgamação com eficiência baixa e deixa entre 1.400 e 2.100 toneladas de ouro recuperável em tailings, com valor estimado entre 89 e 134 bilhões de dólares.

Tecnologia e riscos além do ouro

A aplicação de cianureto exige reformas legais e ambientais, pois a prática não regulamentada já provocou crises. A Convenção de Minamata classifica a reprocessação sem controle como prática danosa, devido à mobilização de mercúrio e à liberação de outros metais pesados. Medidas de mitigação são essenciais.

Operações bem desenhadas incluiriam pré-tratamento para remover mercúrio, aplicação controlada de cianeto com contenção, reciclagem de soluções e revegetação de áreas processadas. Empresas já adotam tais sistemas em escala industrial, mas falta regulação eficaz para o setor artesanal.

O modelo Tapajós: economia no nível da bacia

O Tapajós, sobretudo Itaituba, é palco de ouro em garimpo informal e de oportunidades para recuperação de rejeitos. Históricos de produção remontam aos anos 1950, com explosão após rodovias na década de 1970. Estimativas indicam entre 758 e até 1.2 mil toneladas de ouro ao longo de cinco décadas.

A meta é reprocessar parte dos tailings mais concentrados, em sites de fácil acesso e com maior teor de ouro. O plano envolve 15-25 instalações de médio porte e a geração de milhares de empregos formais, com salários superiores aos do garimpo ilegal.

Perspectivas Pan-Amazonas

A Tapajós responde por 15-25% da mineração de placer na região. Em toda a Pan-Amazônia, a produção anual é estimada em cerca de 120 toneladas, com centenas de milhares de pessoas dependentes do garimpo. A recuperação de mercúrio e a restauração de áreas degradadas podem exigir centenas de operações distribuídas pela bacia.

Se implementado, o modelo poderia gerar dezenas de milhares de empregos diretos e indiretos e receitas para recomposição ambiental. A reforma regulatória precisa fomentar controles ambientais, padrões de trabalho e remuneração estável para migrar o garimpo informal para a economia formal.

Mascando a toxicidade: a ambição econômica depende de vontade política para desenhar marcos regulatórios, remover mercúrio antes do uso de cianeto, manter o disposto em zero-discharge e criar mecanismos de compensação para a restauração de áreas degradadas. A transformação depende de governança eficaz e aplicação da lei.

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