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O Monarca-Gestor que Salvou Omã

Haitham transformou Omã com disciplina fiscal e aposta em hidrogênio verde, levando a classificação de crédito ao grau de investimento e mantendo neutralidade regional

Sultan of Oman Haitham bin Tariq (seated, second from left), King Philippe of Belgium, and Economic Advisor to the King Brent Van Tassel are seen during a royal visit to the Havenhuis in Antwerp, Belgium, on Dec. 4, 2024.
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  • Haitham bin Tariq assumiu o poder há seis anos, em meio a crise econômica, queda do petróleo e alta dívida; ele priorizou disciplina fiscal e cortes de gastos.
  • A dívida pública em relação ao PIB caiu pela metade, chegando a aproximadamente 34%, o país registrou superávit orçamentário e houve aumento de investimentos estrangeiros.
  • Oman investe maciçamente em hidrogênio verde, com meta de cerca de 140 bilhões de dólares até 2050; em 2024 foram fechados contratos de 11 bilhões de dólares e foi criado o órgão Hydrom para coordenar o setor.
  • O sultão mantém neutralidade diplomática, mediando conflitos regionais e mantendo canais com Teerã e Washington, o que tem ajudado a posição estratégica do país.
  • Desafios persistem: desemprego jovem próximo de 15% (mais de 30% entre mulheres jovens), Omanização em tensão com o setor privado, e dependência de petróleo para cerca de 70% das receitas; também há restrições a críticas e liberdades civis, além de a sucessão já ter sido explicitada para o filho Themazil.

O sultão Haitham bin Tariq completa seis anos no poder de Oman, num país que enfrentava dívida elevada e queda de receitas. Assumiu após a morte de Qaboos, em momento crítico para a economia petrolífera regional.

O governo encontrou dificuldade grave, com projeções de contração econômica e classificação de crédito em alerta. Hoje, sinais indicam recuperação, com melhora da dívida, superávit fiscal e maior atração de investimentos.

Haitham não prioriza o espetáculo. Sua gestão se baseia em planejamento técnico e contenção de despesas, diferente do estilo de monarcas vizinhos. A administração já implementou reformas fiscais significativas.

Mudança econômica e investimentos

A dívida pública caiu pela metade, e o déficit foi revertido para superávit. A economia tem crescido e as exportações não hidrocarbonetos também aumentaram. O FMI projeta crescimento próximo de 4% para 2026.

Em 2024-2025, o governo lançou grandes planos no hidrogênio verde, com investimentos estimados em dezenas de bilhões. Oman criou a entidade Hydrom para coordenar o setor e já abriu leilões de projetos.

A meta é transformar a economia rumo à diversificação, reduzindo a dependência do petróleo e fortalecendo setores de alto valor agregado. A estratégia envolve parcerias público-privadas e desenvolvimento tecnológico.

Desafios sociais

Apesar do progresso, o desemprego juvenil permanece elevadíssimo, com destaque para mulheres jovens. O programa Omanização exige contratação de nacionais, gerando tensão com o setor privado.

Críticas a restrições a liberdades e repressão a dissidências também marcam o cenário. Leis de segurança e ações contra críticos são reportadas por organizações de direitos humanos.

A qualidade de vida depende de empregos qualificados para jovens formados. A transição para uma economia menos dependente de óleo exige tempo e investimentos contínuos.

Política externa e neutralidade

Haitham mantém a neutralidade regional, buscando diálogo com Arábia Saudita, Irã e Estados Unidos. A diplomacia estável é vista como vantagem estratégica para negócios e segurança regional.

Essa postura facilita mediação de conflitos e cooperação regional, mantendo Oman como elo diplomático entre potências e aumentando a atratividade para investimentos.

Olhar para o futuro

A liderança aposta na continuidade de reformas fiscais e na expansão do setor de hidrogênio verde. A geração seguinte herdará desafios de emprego, governança e equilíbrio fiscal.

Se as mudanças forem consolidadas, Oman pode manter estabilidade macroeconômica e ampliar sua influência como polo de energia limpa na região. Haitham consolidou um modelo de gestão técnico.

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