- A Polícia Federal investiga uso de fundos de investimentos e manobras contábeis envolvendo Daniel Vorcaro para movimentar e ocultar recursos, segundo mensagens apreendidas no celular de Artur Martins de Figueiredo, ex-diretor da Trustee DTVM.
- O relatório aponta conversas entre Figueiredo e um intermediário de Vorcaro, ocorridas antes da liquidação do Master, dentro da Operação Quasar, que apura uso de fundos para blindar patrimônio e lavar dinheiro de organizações criminosas, incluindo o PCC.
- A PF diz que há uma estrutura organizada para movimentação e ocultação de recursos; as mensagens apontam Vorcaro como o beneficiário final.
- Trustee DTVM e Figueiredo foram citados, mas as defesas afirmam que não tiveram acesso às mensagens e que não houve irregularidade, como o cumprimento de ordens de clientes.
- O Banco Central liquidou o Master um dia após a prisão de Vorcaro; a PF já investigava ligações de fundos da Faria Lima com o caso.
Daniel Vorcaro, banqueiro e dono do Master, é alvo de apurações da Polícia Federal que apontam para uso de fundos de investimento e manobras contábeis para movimentar e ocultar dinheiro. O material foi encontrado em celular de Artur Martins de Figueiredo, ex-diretor da gestora Trustee DTVM, durante a Operação Quasar.
Segundo a PF, o relatório reúne conversas entre Figueiredo e um interlocutor apontado como intermediário de Vorcaro. Os diálogos ocorreram antes da liquidação do Master e indicam possível estrutura organizada para movimentação de recursos, associada a fundos da Faria Lima. O conteúdo está sob sigilo.
O documento sugere que Vorcaro seria o beneficiário final da estrutura. A PF já havia levantado suspeitas sobre o uso de gestoras da Faria Lima por Vorcaro, com aportes vinculados a operações sob suspeita de lavagem de dinheiro. A investigação envolve o risco de ligação com atividades ilícitas associadas ao PCC, segundo a polícia.
Há indícios de que a Trustee DTVM também participou da organização para desviar recursos do Master, especialmente nas vésperas de sua derrocada. Até o momento, as suspeitas vinham principalmente sobre a Reag, outra gestora, que foi liquidada pelo Banco Central um dia após a prisão de Vorcaro, quando tentava deixar o país.
A PF avaliou que o conjunto de diálogos, aliado a informações sobre vínculos societários, evidencia uma estrutura sofisticada para movimentação e ocultação de recursos. O interlocutor de Figueiredo aparece como elo entre Vorcaro e a operação coordenada pela Trustee.
Respostas oficiais e posição das defesas
Artur Figueiredo, alvo da PF em agosto, deixou a Trustee DTVM após a operação. Ele é investigado por supostas operações para blindar patrimônio ligado a Mohamad Mourad, apontado como líder do esquema de lavagem de dinheiro de postos de combustíveis associados ao PCC. Há mandado de prisão e ele permanece foragido.
Figueiredo já havia sido punido pela CVM, com multa de R$ 100 mil, em episódio anterior de descumprimento de obrigações em operação financeira fraudulenta. A defesa sustenta que as mensagens citadas referem-se apenas ao cumprimento de ordens de clientes, sem ilicitude, e que não houve acesso às mensagens para a Trustee.
A defesa da Trustee DTVM destacou que, mesmo sem ter acesso às mensagens, não houve ato societário ou administrativo não permitido pelo regulamento. A instituição afirma que as práticas citadas correspondem a rotina de atendimento a clientes, sem indicar irregularidades.
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