- O Departamento de Justiça abriu subpoena para o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, em relação a um testemunho ao Congresso e à renovação do prédio da instituição, sinalizando investigação criminal.
- Powell afirmou que a ação é uma pressão para que o Fed siga interesses políticos, defendendo que as decisões de política monetária devem ter base em evidências e condições econômicas.
- Trump negou envolvimento direto no caso, mas já havia cogitado ações legais contra Powell, incluindo uma possível ação por incompetência relacionada às obras do Fed.
- Especialistas alertam que a situação põe em risco a independência do Fed, com consequências potencialmente maiores para o dólar e para a credibilidade econômica dos Estados Unidos.
- O mercado reagiu de forma contida, mas o debate elevou o tom sobre quem pode nomear o próximo presidente do Fed; Powell tem mandato até maio, e nomes como Hassett e Warsh enfrentam desconfiança quanto à defesa da independência.
O Departamento de Justiça dos EUA emitiu no final de semana listas de intimação direcionadas ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, indicado por Trump. A investigação envolve o testemunho de Powell ao Congresso sobre a reforma do prédio da instituição e seu custo.
Powell afirma que a investigação é uma pressão para controlar a atuação do Fed. Em um vídeo divulgado no fim de semana, ele disse que a ameaça de acusações não se refere apenas ao testemunho ou à reforma, mas sim à autonomia do Fed para definir juros com base em evidências.
Trump, por sua vez, negou envolvimento direto na investigação na entrevista a NBC, mas já havia sinalizado, em dezembro, a possibilidade de ação legal contra Powell relacionada às obras.
O que está em jogo
O Fed é visto como o árbitro da política monetária dos EUA, influenciando taxas de juros, inflação, mercado de ações e o valor do dólar. O órgão tem historicamente operado com independência frente a pressões políticas.
Especialistas destacam que, se o anterior ao Fed for comprometido, poderá haver maior inflação e riscos de erosão da credibilidade da moeda americana. O debate envolve a eventual subordinação do banco às determinações da Casa Branca.
Repercussões de mercado
A reação imediata foi contida: índices de ações recuaram pouco, o dólar caiu moderadamente e os títulos apresentaram pouca variação. O ouro atingiu recorde, sinalizando preocupação com a integridade do dólar.
Figura de peso do setor financeiro, ex-presidentes do Fed e analistas alertam para riscos de política monetária sob influência política. A independência do Fed é vista como pilar fundamental da governança econômica dos EUA.
Cenário político e institucional
Trump já buscou influencia sobre o banco, inclusive tentando substituir integrantes votantes da diretoria por apoiadores de sua pauta. A atual crise eleva a pressão sobre a nomeação do próximo presidente do Fed, em maio, e sobre a autonomia da instituição.
Senadores e autoridades do Congresso manifestaram preocupação com a erosão da independência do Fed. A discussão envolve o equilíbrio entre política econômica de curto prazo e responsabilidade institucional a longo prazo.
Desfecho e expectativas
Powell sustenta que o Fed operará com base em evidências e condições macroeconômicas. A administração tem acompanhado o caso de perto, com possível impacto na escolha do próximo presidente do Fed e na percepção externa sobre a solidez institucional dos EUA.
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