- A Moody’s estima que os investimentos em data centers alcancem pelo menos US$ 3 trilhões nos próximos cinco anos em todo o mundo.
- A construção física deve ficar entre US$ 700 bilhões e US$ 1 trilhão, com o restante concentrado em equipamentos de computação e infraestrutura operacional.
- Grandes empresas como Microsoft, Amazon, Google, Oracle e Meta já pré-contratam espaço e energia, reduzindo a vacância, mas aumentando a dependência de hiperescaladores.
- O financiamento do setor está se diversificando, com bancos tradicionais, investidores institucionais e crédito privado entrando mais cedo, inclusive na fase de construção, com contratos de longo prazo.
- A demanda impulsiona o consumo de eletricidade, estimado em cerca de 600 terawatts-hora em 2026, o que leva a geração própria de energia em muitos projetos e a diferenças regionais de ritmo e custos.
A infraestrutura global de data centers deve movimentar pelo menos US$ 3 trilhões até 2030, aponta a Moody’s Ratings. O estudo leva em conta a expansão causada por IA, computação em nuvem e contratos de grandes empresas de tecnologia. O prazo considerado é de cinco anos.
A maior parte do investimento ocorre na construção de equipamentos e nas infraestruturas para operar os sistemas. Entre US$ 700 bilhões e US$ 1 trilhão devem sair apenas com obras civis e infraestrutura física, enquanto os dois terços restantes vão para hardware e operação.
Investidores já observam um início intenso de contratos. Empresas como Microsoft, Amazon, Google, Oracle e Meta vêm pré-contratando espaço e energia, reduzindo o risco de vacância, mas aumentando a concentração de receita em poucos inquilinos.
Panorama global
A Moody’s aponta que o fluxo de caixa dos projetos tende a depender fortemente dos grandes provedores de nuvem, os hiperescaladores. A avaliação também mostra diversificação de fontes de financiamento, com bancos tradicionais, investidores institucionais e fundos de crédito privado atuando já na fase de construção.
Dados mostram que seis grandes provedores investiram US$ 400 bilhões em 2025, com previsão de US$ 500 bilhões em 2026 e US$ 600 bilhões em 2027. A demanda por capacidade deve seguir acelerando.
Desafios e custos
A demanda global por mão de obra, commodities e equipamentos especializados aumenta custos de construção e operação. A projeção aponta consumo de energia de cerca de 600 terawatts-hora em 2026, 14% acima de 2025 e 40% acima de 2024.
Nos EUA, Europa e parte da Ásia, atrasos na rede elétrica e preocupações com consumo de energia e água atrasam entregas. Em resposta, cresce a geração de energia própria perto dos data centers, elevando custos e complexidade.
Diferenças regionais
Nos EUA, o crescimento ocorre em escala industrial, com investimentos de centenas de bilhões por ano. Na Ásia-Pacífico, o ritmo é ainda mais rápido, mas há riscos de excesso de capacidade em China e pressão elétrica em mercados menores.
A Europa avança de forma mais seletiva, buscando polos no Norte e no Sul do continente pela disponibilidade de terreno e energia. A América Latina opera com vacância baixa e demanda estável, destacando São Paulo como principal mercado.
Brasil e políticas públicas
No Brasil, o regime ReData facilita investimentos em data centers de grande escala, contribuindo para a posição estratégica do país. A legislação sobre treinamento de IA, porém, amplia a complexidade dos investimentos nesse setor.
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