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Ameaças de Trump à independência do Fed não abalam ações

Mercado não reagiu às ameaças de Trump à autonomia do Fed; estudo aponta volatilidade menor e leve alta das ações

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  • O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que a investigação não mira o depoimento nem a reforma da sede, mas sim exercer pressão para minar a capacidade do Fed de ajustar juros com base em dados.
  • O Departamento de Justiça notificou o Fed com intimações de um grande júri, sob ameaça de indiciamento criminal, relacionado ao depoimento de Powell ao Senado no ano passado.
  • Analistas temiam reação severa e fuga de ativos, mas o mercado não reagiu de forma significativa.
  • Os principais índices acionários encerraram em alta: S&P 500, Dow Jones e Nasdaq.
  • Estudos históricos indicam que a pressão política sobre o Fed aumenta a volatilidade, porém nem sempre reduz retornos; ganhos tendem a ocorrer mais entre empresas de menor capitalização.

O que aconteceu: o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou, em vídeo, que a motivação real de uma investigação em curso não é o depoimento dele ao Senado nem a reforma da sede do Fed. O Departamento de Justiça notificou o Fed com intimações de um grande júri, sinalizando possível indiciamento criminal relacionado ao depoimento de Powell.

Quem está envolvido: Powell, o Fed, e o Departamento de Justiça estão no centro do evento. O mercado reagiu a rumores de pressões políticas sobre o Fed; analistas de fora destacaram o risco de interferência governamental na instituição.

Quando e onde: o episódio ganhou força na noite de domingo, com desdobramentos envolvendo autoridades americanas. O cenário é global, com foco nos mercados dos EUA, que operaram em meio a esse envelope de tensão.

Por quê: Powell sustenta que o objetivo da investigação é pressionar o Fed para influenciar decisões de política monetária, o que, segundo ele, não reflete os dados econômicos. A defesa afirma que a tentativa de influenciar visa minar a autonomia da autoridade monetária.

O mercado reagiu, mas o impacto foi contido

Analistas vinham esperando reação severa, com possível fuga de ativos de risco. Krishna Guha, da Evercore ISI, descreveu o risco como um cenário de risk-off. Mesmo assim, os índices de ações fecharam em alta: S&P 500, Dow Jones e Nasdaq registraram ganhos.

Janet Yellen, ex-presidente do Fed e secretária do Tesouro, avisou que investidores deveriam ficar atentos, sem indicar vendas generalizadas. Ações grandes não recuaram de modo relevante, e operadores observaram a evolução da investigação sem mover grandes capitais.

O histórico recente mostra que pressões sobre o Fed não implicam automaticamente queda de ações. Pesquisas de Yosef Bonaparte, professor da Universidade do Colorado, analisaram quase 69 mil reportagens desde 1980 para medir a pressão presidencial sobre o Fed.

Histórico de pressão e mercado

O estudo indica que oscilações de preços aumentam com maior pressão, refletindo incerteza, não pânico, e que o mercado busca entender o desfecho. Em média, ações sobem levemente quando a pressão aumenta, com ganhos mais fortes em empresas de menor porte.

A lógica é que a pressão política tende a sinalizar uma política monetária mais estimulante, com juros menores ou adiamento de altas. Picos de pressão costumam vir acompanhados de expectativa de juros menores nos meses seguintes.

O FPPI aponta que a pressão teve picos significativos na era Trump, com a métrica aumentando já no primeiro mandato e crescendo no segundo. Dados até julho de 2025 mostram Trump aplicando quase o dobro de pressão sobre o Fed em comparação com Biden, e sete vezes mais que Reagan.

Interferência política no Fed não é nova

Histórias históricas mostram que líderes passaram por pressões sobre o Fed. Lyndon Johnson, em 1964, pressionou pela agenda de Kennedy com juros baixos para financiar a Guerra do Vietnã. Em 1965, houve confronto direto com o então presidente do Fed. Nixon, em 1971, pediu que o Fed estimulasse a economia antes da eleição de 1972, apesar da inflação elevada.

Apesar desses relatos, o estudo de Bonaparte não defende o Fed submisso. A pressão política gera incerteza econômica e pode dificultar a venda de títulos. Em contextos extremos, como a Turquia sob Erdogan, a inflação pode alcançar níveis altos e persistentes, destacando riscos macroeconômicos associados à intervenção política.

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