- PF identificou indícios de que Vorcaro teria antecipado uma ofensiva digital para defender o Master e atacar o Banco Central, com base em documentos apreendidos em 17 de novembro.
- Mensagens sugerem repasse de orientações a intermediários externos ao Master para impulsionar conteúdos favoráveis nas redes e descredibilizar órgãos públicos, antes da liquidação decretada pelo BC.
- A ação ocorreu próximo à liquidação; Vorcaro foi preso ao deixar o país e, posteriormente, passou a cumprir prisão domiciliar.
- Ao menos 40 perfis de redes sociais teriam participado de ataques, envolvendo influenciadores com contratos que continham cláusulas de confidencialidade e multas.
- A Polícia Federal instaurou novo inquérito para investigar ataques coordenados contra o Banco Central, com o celular de Vorcaro apresentando sistema de senha complexo e dados ainda em análise.
A Polícia Federal investiga indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro teria antecipado uma ofensiva digital para defender o Banco Master e atacar órgãos de controle, como o Banco Central. As informações vêm de fontes ligadas ao caso e foram cruzadas pela reportagem.
Segundo apurações, a análise preliminar de dispositivos apreendidos em 17 de novembro, durante a Operação Compliance Zero, aponta mensagens que supostamente orientavam intermediários externos a impulsionar conteúdos favoráveis ao Master e a críticas ao BC. A operação ocorreu um dia antes da liquidação do banco.
A defesa de Vorcaro não se manifestou sobre as supostas articulações. O Ministério Público e a PF não comentam investigações em curso. Já o BC decretou a liquidação do Master pouco depois das apreensões.
Provas e dispositivos sob avaliação
Investigadores destacam que o conteúdo do celular de Vorcaro pode ser mais sensível do que documentos apreendidos em endereços ligados ao Master. O aparelho, com múltiplas camadas de proteção, segue em análise pericial, pois a senha ainda não foi fornecida.
A PF apura a atuação de ao menos 40 perfis nas redes sociais, usados para descrever a atuação do BC de forma desfavorável. As postagens envolvem influenciadores de áreas diversas e indicam linguagem parecida entre as publicações.
A investigação também envolve contratos com influenciadores digitais, com cláusulas de confidencialidade e multas altas em caso de descumprimento, sugerindo atuação estruturada para sustentar a narrativa de crise.
Vorcaro está em prisão domiciliar desde 29 de novembro, com monitoramento por tornozeleira. Em depoimento à PF em 30 de dezembro, ele disse não liberar a senha do celular para preservar conteúdos privados.
A PF instaurou novo inquérito para apurar ataques virtuais coordenados contra autoridades financeiras e o Banco Central. Também devem ser ouvidos ex-diretores, ex-sócios do Master e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, até o início de fevereiro.
A linha de investigação aponta para uma possível negociação de créditos considerados inexistentes entre o Master e o BRB, num total de 12,2 bilhões de reais, ainda sem conclusão. As apurações seguem com coleta de provas e depoimentos.
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