- A NRF 2026 indica que a IA já é prática diária no varejo, com foco em dados, fluidez e segurança.
- O comércio agêntico emerge: assistentes baseados em IA mediam toda a jornada, escolhendo e fechando compras a partir de descrições de necessidades.
- Dados íntegros passam a ter prioridade, superando apenas o volume de informação; a qualidade e a ligação com a operação definem a estratégia.
- A experiência do cliente não tem mais fronteiras entre físico e digital; a jornada precisa ser contínua, sem fricção, em qualquer ponto de contato.
- O pagamento vira camada de confiança integrada à jornada, com validação de identidade e risco, em checkouts quase imperceptíveis e seguros.
A NRF 2026, em Nova York, mostrou que a inteligência artificial saiu do campo experimental e já opera no dia a dia das empresas. O tema The Next Now enfatizou execução, dados, fluidez e segurança no varejo global e no Brasil, segundo Adriana Garbim, vice-presidente Comercial da Cielo, presente ao evento.
Ela aponta cinco movimentos que ajudam a entender a lógica atual de tecnologia, consumo e operação no varejo. Garbim destaca que a relação entre marcas, consumidores e tecnologia passa por mudanças estruturais, com a tecnologia funcionando nos bastidores para manter segurança e fluidez.
Comércio agêntico redefine a decisão de compra
O evento confirmou a consolidação do comércio agêntico, em que assistentes baseados em IA mediando toda a jornada do cliente substituem a busca ativa por itens específicos. A decisão é automatizada, exigindo capacidade das empresas de serem interpretadas por máquinas para não perder espaço.
Nesse cenário, a presença em múltiplos canais deixa de ter peso central frente à capacidade de estruturar dados e processos que sustentem as decisões dos sistemas. Garbim afirma que quem não se adaptar ficará para trás.
Dados íntegros ganham prioridade
A qualidade dos dados ganhou destaque na NRF 2026, com IA atuando na recomendação de produtos. Informações organizadas e conectadas à operação têm mais valor do que apenas modelos avançados.
Na visão da executiva, o Brasil precisa priorizar estratégia de dados robusta. A credibilidade passa a vir de informações confiáveis, não de volume de mídia ou de tecnologia sem base sólida.
Experiência sem fronteiras entre canais
A NRF 2026 reforçou o fim da dicotomia físico/digital. A jornada do consumidor é única, e qualquer atrito pode gerar abandono. Garbim ressalta que o cliente não enxerga canais distintos, apenas esforço, atraso ou incoerência.
A experiência de compra passa a depender da fluidez entre descoberta, pagamento e entrega, independentemente do ponto de contato. A promessa da marca precisa ser cumprida de forma igual em todos os momentos.
Pagamento como camada de confiança
Com a expansão do comércio mediado por agentes, o pagamento deixa de ser apenas a etapa final. Ele atua como validador de identidade, risco e legitimidade da transação.
Segundo Garbim, o Brasil tem vantagem por já possuir confiança em Pix e biometria. O desafio é integrar essas tecnologias ao comércio por agentes, buscando checkouts quase imperceptíveis, porém seguros. A tendência aponta para pagamentos mais integrados à jornada.
Confiança como critério operacional na era da IA
A conferência enfatizou que a confiança é central quando a IA atua na geração de conteúdo e recomendações. Dados estruturados ajudam a entrar no radar, mas a reputação construída ao longo do tempo sustenta decisões reais.
A pesquisada de Garbim encerra que, no varejo do futuro, a confiança deixa de ser percepção para se tornar critério prático que afeta visibilidade, recomendação e conversão, em um ambiente cada vez mais automatizado.
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