- O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nova denominação da Reag Investimentos, ligada a São Paulo.
- A medida ocorre durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal, que investiga fraudes no Banco Master.
- Entre os alvos da operação estão João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag Investimentos, e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, com mandados de busca e apreensão e apreensão de bens.
- A ação contou com 42 mandados, além de sequestro e bloqueio de ativos que somam mais de R$ 5,7 bilhões; houve também apreensão de dinheiro em espécie.
- A Reag não se manifestou sobre a liquidação até o momento, mantendo nota pública anterior que destaca atuação ética, compliance e cooperação com autoridades.
A CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag Investimentos, teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central nesta quinta-feira (15). A medida intensifica a relação entre a gestão e as investigações sobre um possível esquema de fraudes ligado ao Banco Master, dentro da segunda fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal.
A liquidação ocorre em meio a ações da PF que envolveram endereços ligados ao fundador da Reag, João Carlos Mansur, e ao controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na quarta-feira (14) e somam mais de 5,7 bilhões de reais em bloqueios de bens, com apreensão de valores em espécie.
A Reag aparece no escopo de apurações sobre fundos de investimento usados no esquema financeiro, ainda sob avaliação formal pela PF e pela Receita Federal. Ao todo, 42 mandados, sequestros e bloqueios foram autorizados pelo ministro Dias Toffoli, envolvendo também familiares de Vorcaro.
O que é a Reag Investimentos
Fundada em 2013 por Mansur, a Reag tornou-se uma das maiores gestoras independentes do país, com atuação sem vínculos com bancos. A empresa já administrou quase 300 bilhões de reais para pessoas físicas, empresas e instituições.
A Reag era controlada pela Reag Capital Holding S/A, que também administrava a CiabraSF, outra holding citada na operação Carbono Oculto. A CiabraSF foi adquirida pelo Grupo Planner recentemente, após uma OPA para alienação do controle.
Contexto da Operação Carbono Oculto
A PF deflagrou a Carbono Oculto em agosto do ano passado, desarticulando um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis ligado ao PCC. Fontes apontam que mais de 7,6 bilhões de reais em impostos deixaram de ser recolhidos.
Fintechs seriam usadas para ocultar a origem dos recursos, com fundos de investimento sob gestão de administradoras. A Reag foi citada entre as empresas associadas a esse movimento de ocultação de recursos.
Operação Compliance Zero
Na segunda fase, a PF investiga captação de recursos, aplicações em fundos e desvio para patrimônio pessoal de Vorcaro e parentes. Foram apreendidos itens de luxo e veículos, com mandados em São Paulo e demais estados.
O caso envolve ainda Nelson Tanure e o ex-presidente da Reag Mansur entre os alvos. As investigações visam mapear fluxos financeiros entre fundos e ativos de interesse do grupo investigado.
Reação da Reag
A reportagem não encontrou manifestação da Reag sobre a liquidação até o fechamento desta matéria. Em nota emitida em outubro, a holding afirmou atuar de forma ética e conforme a regulação, sob supervisão de órgãos como CVM e Bacen, negando ligações com atividades irregulares. A empresa ressalta manter governança e compliance. Fonte: g1.
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