- A unidade Dalzell, da Liberty Steel, não conseguiu iniciar a produção por falta de caixa para comprar placas de aço, apesar de ter sido contratada para fornecer 34 mil toneladas de placas para três navios de apoio logístico da Marinha.
- Sir David Murray pediu ao governo do Reino Unido que intervenha, sugerindo até mesmo a tomada de controle da planta para assegurar o cumprimento do contrato.
- A Liberty Steel enfrenta problemas financeiros ligados ao impasse do grupo Gupta, com a fábrica Dalzell sem apresentar contas há cinco anos e sob investigações.
- Os navios de apoio logístico, chamados de Fleet Solid Support, devem ser construídos em Belfast pela Navantia, com o primeiro navio, RFA Resurgent, previsto para 2031.
- A produção na Dalzell pode reiniciar nas próximas semanas, mas há ceticismo na indústria sobre a viabilidade de curto prazo, enquanto trabalhadores recebem cerca de 80% dos salários.
A construção de três navios de apoio à marinha pode ficar paralisada por falta de caixa na fábrica Dalzell, de Liberty Steel, na Escócia. A empresa não consegue iniciar a produção de 34 mil toneladas de placas de aço para os navios FSS, alegando fluxo de caixa insuficiente para comprar as chapas. A situação compromete o fornecimento para o estaleiro Navantia, em Belfast, que vai montar os navios para a Marinha britânica.
Sir David Murray, magnata do metal na Escócia, pediu intervenção do governo do Reino Unido para pressionar a Liberty a ceder o controle da planta. Murray já sinalizou disponibilidade para assumir a gestão do empreendimento, elevando a pressão sobre a empresa controlada por Sanjeev Gupta. A Global Future Group (GFG) enfrenta dificuldades financeiras desde a crise de Greensill Capital em 2021.
Gupta perdeu o controle de várias unidades do seu grupo, com Dalzell sem ter apresentado contas por cinco anos. O empreendimento de Dalzell está ligado a processos judiciais e a investigações por fraude em andamento. A construção dos navios de 216 metros, destinados a transportarem munição, alimentos e suprimentos, está parcialmente dependente de aço britânico.
Navantia, estatal espanhola, assumiu o projeto dos FSS e ficará responsável pela construção em Belfast. O primeiro navio, o RFA Resurgent, tem entrega prevista para 2031. Os contratos buscavam manter empregos no Reino Unido e priorizar fornecedores da região, reduzindo a dependência de importações.
A escassez de caixa na Liberty impediu a compra de slabs da British Steel, mantidos pela produção com pagamentos parciais aos trabalhadores, que recebem 80% dos salários. Ensaios de produção realizados em novembro renderam apenas 1.000 toneladas, equivalentes a cerca de três dias de operação. A empresa tenta retomar a produção nos próximos dias, mas o otimismo é moderado entre analistas da indústria.
O governo britânico assumiu o controle da Dalzell em abril, após a saída do proprietário chinês Jingye. Desde então, as medidas de apoio financeiro chegaram a cerca de £274 milhões, segundo declarações oficiais. A estratégia visa manter a capacidade industrial e o fornecimento de peças para contratos de defesa. Navantia UK não comentou o assunto.
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