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Fundo beneficente de Bill Gates aumenta participação em firmas de combustíveis fósseis

Fundo da Gates Foundation investiu US$ 254 milhões em fósseis em 2024, recorde de nove anos e alta de 21% desde 2016, mesmo em meio a discurso de divestimento

Bill Gates listens to a forum with his hand to his face at the 48th annual meeting of the World Economic Forum
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  • Em 2024, o Gates Foundation Trust investiu 254 milhões de dólares em empresas que extraem combustíveis fósseis, como Chevron, BP e Shell.
  • O valor representa recorde de nove anos e subiu 21% desde 2016; ajustado pela inflação, é o maior desde 2019.
  • Gates afirmou ter desinvestido de ações diretas de petróleo e gás em 2019, mas o tesouro continuou com participação em fósseis ao longo dos anos.
  • O portfólio atual também inclui investimentos em Inpex, com 139 milhões de dólares em 2024 (sete vezes maior que em 2020), além de holdings em BP, Equinor e Occidental Petroleum.
  • A análise foi baseada em formulários 990-PF públicos do Gates Foundation e foca apenas produtores upstream de fósseis, excluindo fornecedoras, fundos mútuos e empresas com atividades não-petrolíferas.

O Gates Foundation Trust manteve investimentos significativos em empresas de extração de combustíveis fósseis, totalizando US$ 254 milhões em 2024. O montante representa o recorde em nove anos e subiu 21% em relação a 2016, segundo levantamento do Guardian com base em documentos fiscais.

De acordo com as informações, os recursos do fundo também atingiram o maior nível desde 2019, ajustados pela inflação. O patrimônio é gerido pela Gates Foundation, criada por Bill Gates e, historicamente, envolve ações ligadas a petróleo e gás, mesmo após promessas de desinvestimento.

Entre as empresas citadas estãoChevron, BP e Shell, cuja participação compõe o conjunto de extratores de combustíveis fósseis detidos pelo fundo. O estudo utiliza formulários 990-PF públicos do Gates Foundation e exclui investimentos indiretos em infraestrutura ou serviços de exploração.

Histórico de desinvestimento e trajetória recente

O tema do desinvestimento ganhou força a partir de 2015, com campanhas da sociedade civil pedindo que grandes fundações se desvinculassem de fósseis. Na prática, o fundo reduziu fortemente suas posições entre 2013 e 2015, saindo de 1,4 bilhão de dólares em 2013 para valores muito menores em 2015.

No entanto, a partir de 2020 houve recuperação de parte dessas posições, com com ganhos em ações de empresas como Glencore, BP e Occidental Petroleum. Em Inpex, por exemplo, houve aumento expressivo de participação até 2024, chegando a US$ 139 milhões.

O relatório também aponta que, embora Gates tenha afirmado em 2019 não desejar lucrar com a alta de ações de fósseis, o valor investido pelo trust em empresas do setor se manteve relevante para o registro financeiro anual. O estudo não avalia impactos climáticos nem decisões de governança corporativa.

O levantamento, feito com fontes públicas, não inclui investimentos em fornecedoras de tecnologia, equipamentos ou serviços ligados à extração, nem em fundos mútuos com participação de fósseis. A Fundação Gates não foi Carlos comentada pela reportagem.

Fonte de dados e metodologia

A análise baseia-se em formulários 990-PF disponíveis publicamente, apresentados pelo Gates Foundation. O recorte considera apenas produtores upstream de combustíveis fósseis, excluindo conglomerados com subsidiárias de extração cujo foco principal não é a extração de fósseis.

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