- A riqueza dos super-ricos subiu 81% desde 2020; em 2025 há cerca de três mil pessoas com fortunas superiores a um bilhão de dólares, somando 18,3 trilhões de dólares.
- Segundo a Oxfam, esse grupo acumula poder político e midiático para moldar normas econômicas e sociais em benefício próprio, o que preocupa as democracias.
- O estudo usa dados da Forbes, Banco Mundial e UBS; no último ano, a soma das fortunas desses bilionários aumentou 2,5 bilhões de dólares (aproximadamente 13,40 bilhões de reais).
- A concentração de riqueza acompanhou o avanço do poder político, com referência à era pós-Trump e a cortes de impostos aos mais ricos que afetam a atuação de grandes corporações.
- Pesquisas apontam impacto na confiança pública: quase metade dos entrevistados em estudo internacional acredita que os ricos compram eleições e cerca de um quarto dos países registra deterioração democrática; a Oxfam recomenda taxação de fortunas e medidas para reduzir a influência de lobbies.
Desde Davos, a Oxfam divulgou um relatório apontando que os super-ricos ganharam força econômica e política nos últimos anos. O documento destaca crescimento de riqueza, controle midiático e influência sobre normas econômicas globais.
A organização ressalta que, desde 2020, a riqueza conjunta desses indivíduos aumentou 81%. Em 2025, havia 3 mil pessoas com fortunas acima de US$ 1 bilhão. A soma total dessas fortunas chega a US$ 18,3 trilhões.
O relatório liga esse acúmulo de poder à capacidade de moldar políticas públicas, mídias e debates, em benefício próprio. A Oxfam sustenta que democracias passam por erosões quando elites controlam recursos e veículos de comunicação.
Concentração de riqueza e poder político
O estudo aponta que o crescimento da riqueza ocorreu em parte pela atuação de governos. A Oxfam cita a era de Donald Trump e as medidas de cortes de impostos para grandes fortunas, além de facilitação de grandes corporações.
A liderança econômica concentrada em poucos indivíduos é acompanhada por maior domínio da imprensa e das plataformas digitais. Isso intensifica a possibilidade de influenciar a opinião pública e o curso político, segundo Franc Cortada, diretor da Oxfam.
A organização cita a World Values Survey, que em 66 países indica que quase metade dos entrevistados acredita que os ricos compram eleições. O relatório associa esse sentimento à erosão da confiança nas instituições.
Retrocesso de liberdades e direitos
Segundo a Oxfam, a concentração de riqueza coincide com retrocessos democráticos em várias nações. Em um quarto dos países, há deterioração das liberdades, com governos priorizando elites e suprimindo protestos.
O texto destaca que demandas das elites costumam receber proteção governamental, enquanto direitos civis sofrem cortes. O custo de vida aumenta e as políticas públicas aparecem como resposta a esse cenário de desigualdade.
Propostas da Oxfam
A organização defende o fortalecimento de políticas públicas para reduzir desigualdade. Entre as medidas, estão tributação mais eficaz de grandes fortunas, planos nacionais de redução de disparidades e medidas para limitar o choque entre riqueza e política.
A Oxfam também recomenda ampliar a separação entre capital e política, fortalecendo regras para lobbies. A intenção é reduzir a influência de bilionários sobre decisões públicas sem comprometer a democracia.
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