- O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que, a partir de 1º de fevereiro, haverá taxa de dez por cento sobre todos os bens importados de oito países europeus (Alemanha, Reino Unido, França, Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca e Países Baixos); a União Europeia respondeu com a intenção de aplicar tarifas de 93 bilhões de euros aos Estados Unidos.
- A União Europeia firmou acordo de livre comércio com o Mercosul no fim de semana, avaliando dependência dos EUA; para o Brasil, surge a oportunidade de ampliar mercados, ganhar poder de barganha em cotas e reduzir dependência do dólar.
- Segundo o BTG, o Brasil tem potencial para dobrar ou triplicar exportações para a Europa; o impacto, no entanto, pode ocorrer de forma mais profunda, com redução da incerteza institucional e queda no custo de capital.
- O acordo pode atrair investimentos em tecnologia, valor agregado e padronização produtiva, permitindo integração a cadeias globais de alimentos premium, bioinsumos e máquinas agrícolas, desde que cumpram padrões europeus; há expectativa de retorno de bancos europeus ao Brasil e uso do euro.
- O setor agro sará o efeito mais imediato: há uma cota anual de 16,5 mil toneladas com tarifa de 7,5%, que deve subir até 99 mil toneladas em 2031, e o Brasil deve ficar com cerca de 42% desse volume; a carne bovina exportada para a UE em 2025 foi de 128,9 mil toneladas, gerando US$ 1,06 bilhão, e o café tende a se beneficiar com a eliminação gradual da tarifa de 7,5%.
O Brasil acompanha o aprofundamento da disputa comercial entre Estados Unidos e União Europeia. Em 17 de janeiro, Trump anunciou 10% de taxação a bens importados de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro, incluindo Alemanha, Reino Unido, França, Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca e Países Baixos. A medida ocorre no contexto de uma agenda mais agressiva de Washington. A UE respondeu rapidamente com a avaliação de tarifas adicionais de 93 bilhões de euros aos EUA.
No dia seguinte, Bruxelas confirmou o impulso de uma nova leitura sobre dependência comercial dos EUA e deu andamento ao acordo de livre comércio com o Mercosul. O acordo, visto como oportunidade para o Brasil, pode ampliar mercados, aumentar poder de barganha em cotas e volumes e reduzir vulnerabilidades na estrutura de comércio externo.
Além disso, especialistas destacam que o impacto brasileiro vai além de tarifas. O acordo pode reduzir incerteza institucional, potencialmente reduzir custos de capital no Brasil e estimular uma integração financeira maior com a zona euro, incluindo uso do euro, soluções digitais como o PIX e retorno de bancos europeus ao país.
Investimentos
O tratado tende a atrair investimentos em tecnologia, valor agregado e padronização produtiva. O Brasil ganharia acesso a cadeias globais mais sofisticadas, sobretudo em alimentos premium, bioinsumos e máquinas agrícolas, desde que observe padrões europeus de produção, higiene, embalagem e eficiência.
Para o professor Marcos Crivelaro, do Instituto de Finanças, o ganho estrutural seria maior que o efeito pontual dos investimentos no saldo comercial, pois a integração envolve sistemas financeiros e a redução de barreiras regulatórias. O pesquisador aponta que avanços tecnológicos no processo produtivo aparecem como fator-chave.
Agro e impacto imediato
O efeito mais rápido é esperado no agronegócio, com uma cota anual de 16,5 mil toneladas sujeita a tarifa de 7,5%, aumentando gradualmente até 99 mil toneladas em 2031, conforme o BTG Pactual. Analistas estimam que o Brasil ficará com cerca de 42% desse volume. Esses volumes podem elevar a competitividade de produtos brasileiros no mercado europeu.
Em 2025, a UE importou 128,9 mil toneladas de carne bovina brasileira, gerando 1,06 bilhão de dólares em receita, segundo a Abiec. Embora o mercado europeu não substitua a importância da Ásia e dos EUA, ele oferece maior valor agregado e previsibilidade regulatória. Para açúcar, etanol e café, o acordo tende a favorecer condições de preço e competitividade, com impactos variáveis conforme o produto.
Entre na conversa da comunidade