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Corte de incentivos pode levar 100 mil empresas ao Lucro Real

Mudança de incentivos em 2026 deve levar cerca de 100 mil empresas a migrar do Lucro Presumido para o Lucro Real, elevando a carga tributária

Mais de 100 mil empresas do Lucro Presumido devem migrar para Lucro Real após corte de incentivos fiscais
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  • Em 2026, cerca de 100 mil empresas devem migrar do Lucro Presumido para o Lucro Real, segundo a ROIT, devido à redução de incentivos fiscais prevista pela Lei Complementar nº 224/2025.
  • A mudança, que faz parte da meta de superávit primário de R$ 34,3 bilhões, envolve a revisão de tributos por parte de 1,5 milhão de empresas no regime do Presumido.
  • A base de cálculo do IRPJ e da CSLL passa a ser maior, elevando a alíquota efetiva de cerca de 10,88% para 11,97%, com aumento real aproximado de 10%, sem necessidade de crescimento de faturamento.
  • Empresas com faturamento próximo de 6 milhões de reais ao ano, já acima do limite do Simples Nacional, podem enfrentar acréscimo relevante de tributos e perda de competitividade frente ao Lucro Real.
  • A partir de 2027, a CBS deverá substituir PIS e Cofins com alíquota cheia, o que também tende a favorecer a migração para o Lucro Real, conforme projeções da equipe econômica.

O governo federal anunciou a redução de incentivos fiscais a partir de 2026, com objetivo de alcançar superávit primário de 0,25% do PIB. A medida, prevista na Lei Complementar nº 224/2025, afeta principalmente empresas no regime do Lucro Presumido.

A mudança amplia a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, elevando a presunção de 32% para 35,2%. A alíquota efetiva combinada sobe de 10,88% para 11,97%, resultando em aumento real de cerca de 10% na carga tributária, sem aumento de faturamento.

Estimativas indicam que cerca de 1,5 milhão de empresas no Lucro Presumido enfrentarão maior custo tributário, levando muitas a reconsiderar a migração para o Lucro Real, que hoje abrange pouco mais de 230 mil empresas. O cenário impacta planejamento fiscal e compliance.

Migração esperada e cenários

Segundo a ROIT, a mudança torna o Lucro Real mais competitivo para margens estreitas e custos dedutíveis elevados. Empresas com receitas entre R$ 4,8 milhões e R$ 78 milhões anuais são citadas como potenciais solicitantes de adequação.

Não há, ainda, desvio total de incentivos: regimes específicos como o Simples Nacional e a Zona Franca de Manaus permanecem preservados. Além disso, a reforma de consumo em 2027 envolve a CBS com alíquota cheia, substituindo PIS/Cofins.

Perspectivas de implementação

Especialistas apontam que a migração para o Lucro Real deve ganhar força em 2026 e se intensificar em 2027. A projeção aponta pelo menos 100 mil empresas migrando para o Lucro Real, conforme avaliação da ROIT.

Em decorrência, mudanças no planejamento tributário, na gestão de custos e na conformidade fiscal deverão ocorrer de forma gradual. As mudanças não alteram o caráter de fiscalização nem exigem alterações em outros regimes estratégicos já estabelecidos.

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