- O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, controladora do Will Bank, encerrando as atividades da instituição.
- O Will Bank, banco digital voltado a inclusão financeira, tinha base no Nordeste e afirmava ter atingido 12 milhões de clientes.
- A situação financeira se agravou após a liquidação do Banco Master, há dois meses, com cerca de R$ 7 bilhões em passivos e aproximadamente R$ 8 bilhões em transações com Mastercard.
- Houve tentativa de venda a um investidor árabe, mas o negócio não foi fechado; a Mastercard informou que o Will Bank não pagou dívidas, levando à suspensão da aceitação de cartões.
- Durante a liquidação, ativos e passivos ligados ao arranjo de pagamentos foram transferidos para a financeira; o BC já administrava a instituição temporariamente antes da decisão final.
O Banco Central anunciou, nesta quarta-feira, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank. A fintech, ligada ao Banco Master, terá as atividades interrompidas. O movimento ocorreu após dificuldades financeiras agravadas pela liquidação do Banco Master meses antes.
O Will Bank nasceu para ampliar inclusão financeira, direcionando seus serviços a pessoas com menor acesso ao sistema bancário. A base de usuários ficou concentrada no Nordeste, onde vivem cerca de 60% dos clientes, em cidades de menor porte. A empresa já afirmava ter atingido 12 milhões de clientes.
A instituição acumulava cerca de 7 bilhões de reais em passivos e aproximadamente 8 bilhões em transações correntes com a bandeira Mastercard. Segundo apurações, o banco operava sob regime de administração temporária do BC desde a intervenção do grupo Master.
Situação financeira e desdobramentos
Na segunda-feira (19), a Mastercard informou que a Will Financeira não honrou pagamentos devidos. No dia seguinte, a empresa anunciou a suspensão da aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank por conta das dívidas. O BC constatou que não havia alternativas viáveis para reestruturação.
A liquidação resultou na transferência de ativos e passivos ligados ao arranjo de pagamentos do banco para a financeira. O controle do Will Bank já havia sido discutido no contexto da reestruturação do conglomerado Master, após a conclusão de uma venda a um investidor árabe, que não se concretizou.
Histórico e trajetória
O Will Bank surgiu em 2017 no Espírito Santo a partir do pag!, cartão de crédito fundado por Felipe Felix, que hoje é o CEO, ao lado dos irmãos Giovanni e Walter Piana. Em 2020 houve reformulação, com a adoção da marca Will Bank e expansão para além do cartão.
Ao longo dos anos, a fintech desenvolveu conta digital remunerada, pagamentos por PIX e boletos, empréstimos e um marketplace com cashback. Em 2021, recebeu aporte de 250 milhões de reais de XP e Atmos Capital, que passaram a deter participação minoritária.
Reestruturação e conjuntura recente
Em 2024, passou por reestruturação societária com a transferência de controle da Will Instituição de Pagamentos ao Grupo Reag e da Will Financeira ao Grupo Master, após aprovação do Cade e do BC. Apesar de melhora recente em resultados, o BC decidiu pela liquidação diante do acúmulo de dívidas e da não concretização de venda.
A liquidação encerra as atividades da Will Bank, que operava sob o guarda-chuva do Banco Master desde a intervenção do grupo. O BC informou que continuará apurando responsabilidades cabíveis aos controladores e ex-administradores, com medidas administrativas, conforme a legislação.
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