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Ex-presidente do BRB diz que banco queria créditos do Master; Vorcaro informa sobre carteiras

BRB descobriu, em maio, que carteiras vinham de terceiros reunidos pela Tirreno, envolvendo cerca de vinte correspondentes e elevando a provisão de perda e o deságio

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — Foto: Banco Master
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  • O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Bezerra, afirmou que o banco só descobriu, em maio, que as carteiras compradas do Banco Master eram de terceiros e reuniam créditos de cerca de vinte correspondentes distintos.
  • Daniel Vorcaro, dono do Master, disse que houve mudança no modelo de venda desde o início das negociações e que a participação de terceiros foi comunicada ao BRB desde o começo, ainda que o nome Tirreno não fosse central naquele momento.
  • Bezerra relatou que, até abril, o BRB comprou as carteiras sem identificar formalmente a origem específica dos ativos, e que a identificação de um padrão documental levou a questionamentos sobre a origem das carteiras.
  • A partir de maio, o BRB passou a avaliar riscos de forma diferente e elevou a provisão para perda esperada das carteiras de cerca de 10–15% para aproximadamente 30%, gerando deságio relevante na operação.
  • Bezerra informou que cerca de R$ 800 milhões permaneceram sem precificação, vinculados a ativos voláteis, e que parte dos ativos foi substituída ou garantida; Vorcaro afirmou que a operação foi majoritariamente coberta por substituição de ativos, com saldo residual amparado por garantias adicionais.

O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Bezerra, afirmou que o banco só tomou conhecimento de que as carteiras de crédito compradas do Banco Master eram de terceiros após revisar contratos e questionar a origem dos ativos. A declaração ocorreu durante acareação na Polícia Federal.

Daniel Vorcaro, dono do Master, sustenta que houve reação de mudança no modelo de comercialização desde o início das tratativas. Ele afirma que o Master informou sobre a participação de terceiros no negócio, mesmo que o nome Tirreno não fosse central naquele momento.

A PF investiga as operações entre BRB, Master e a crise de liquidez do banco privado. Os depoimentos foram transcritos no fim de 2025 e reproduzidos pelo blog, que teve acesso às declarações.

Mudança no modelo de comercialização

Bezerra disse que, até abril, o BRB comprou carteiras sem identificar de forma formal os originadores. A partir de uma constatação documental, houve a formalização de questionamentos sobre a origem das carteiras em maio.

Segundo Bezerra, a informação de que a Tirreno atuava como consolidadora, reunindo créditos de cerca de vinte correspondentes, alterou a avaliação de riscos da operação. A estrutura passou a ser considerada na gestão de ativos.

Vorcaro afirmou que houve comunicação desde o começo sobre a venda de carteiras originadas por terceiros. Ele negou que a identidade do originador fosse decisiva para o risco, que ficaria no cliente tomador do empréstimo.

Situação financeira e ajustes

Bezerra relatou que, após reavaliação, ficou pendente a precificação de cerca de 800 milhões de reais devido a ativos classificados como voláteis. O valor final dependia de validação de mercado.

O BRB elevou a provisão para perdas esperadas das carteiras para cerca de 30%, acima de 10-15%, como forma de mitigar inadimplência. O deságio resultante indicou proteção de valor diante de perdas potenciais.

Vorcaro disse que a operação foi majoritariamente coberta por substituição de ativos e garantias. Restou apenas um saldo residual, ainda amparado por garantias adicionais.

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