- O Judiciário passa a discutir pensão vitalícia em divórcios, especialmente para mulheres que pausaram a carreira para cuidar da família.
- Os tribunais avaliam critérios como tempo fora do mercado, idade e se houve filhos; quanto maior a dependência econômica, maior a chance de pensão sem prazo.
- Quando a mulher ficou 20 anos ou mais fora do mercado e tem acima de 55 anos, a pensão vitalícia tende a ser reconhecida; em idades menores, costuma haver pensão temporária.
- A pejotização complica a comprovação de renda contínua e do padrão de vida, ampliando a vulnerabilidade após a separação, mesmo com formação e experiência.
- A violência econômica é tema do debate, com reconhecimento do trabalho doméstico como contribuição econômica; a pensão vitalícia é vista como compensação pela renúncia profissional.
O Judiciário brasileiro tem analisado com mais rigor pedidos de pensão vitalícia entre ex-cônjuges, à medida que cresce o número de divórcios. O foco recai sobre mulheres que interromperam a carreira para cuidar da família e, após a separação, encontram dificuldade para retomar a vida profissional e garantir renda própria.
A discussão envolve fatores como dependência financeira criada ao longo do casamento e a dificuldade de reincorporar-se ao mercado formal. A concessão da pensão não é automática; cada caso recebe avaliação com base em critérios jurídicos já estabelecidos.
Segundo o especialista Luiz Fernando Gevaerd, o tempo fora do mercado, a idade e a existência de filhos pesam na decisão. Quanto maior a dependência econômica, maior a chance de a pensão não ter prazo definido.
Critérios avaliados para pensão vitalícia
Tribunais avaliam o afastamento profissional, especialmente para mulheres que dedicaram décadas ao lar. Em muitos casos, a pensão tende a ser reconhecida quando a mulher ficou 20 anos ou mais fora do mercado e tem mais de 55 anos.
Idades menores costumam levar a entendimentos diferentes, com possibilidade de pensão temporária caso haja possibilidade de reinserção profissional, ainda que em condições distintas.
Pejotização e violência econômica
A pejotização, com atuação como pessoa jurídica, dificulta comprovar renda contínua e o padrão de vida mantido, elevando a vulnerabilidade após a separação. Mesmo com formação, a ausência de contratos formais impacta a renda.
O aumento dos divórcios após a pandemia elevou a discussão sobre violência econômica, que restringe acesso a recursos e mantém dependência. O trabalho doméstico passa a ser reconhecido como contribuição econômica relevante.
“Quando alguém abandona a trajetória profissional para permitir o avanço do outro, há sacrifício econômico a ser considerado após a separação”, afirma Gevaerd.
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