- Remessas de trabalhadores africanos para familiares são chamadas de “black tax”, símbolo de apoio familiar e, ao mesmo tempo, obrigação financeira.
- Em Lagos, Nigéria, a média de salário que vai para sustentar parentes é de cerca de vinte por cento; em África do Sul, um salário sustenta quase quatro pessoas.
- Estudo na África e relatos na região mostram que a pressão para doar dinheiro pode frear o crescimento de negócios e ampliar dificuldades financeiras.
- Remessas de africanos no exterior alcançaram cem bilhões de dólares em dois mil e vinte e dois, segundo o Banco Africano de Desenvolvimento.
- Pessoas entrevistadas em Quênia, Zimbábue, África do Sul e outros países descrevem o envio como necessário para a sobrevivência e para construir patrimônio para as próximas gerações, apesar das preocupações com finanças pessoais.
O chamado “black tax” é a obrigação de trabalhadores enviar parte de seus salários para familiares, algo que ocorre em várias nações africanas e na diáspora. Transferências por meio de apps como Western Union e WorldRemit costumam marcar o dia financeiro de quem envia, mas também são consideradas orgulho pela contribuição à família.
Pesquisas e relatos mostram que, em Lagos, Nigéria, cerca de 20% da renda mensal é destinada ao sustento de parentes. Na África do Sul, a taxa de desemprego supera 42%, e um salário muitas vezes sustenta quase quatro pessoas, segundo organizações locais. Em Kenya, a pressão para apoiar familiares freia o crescimento de negócios de empreendedores.
África Oriental e Austral
No Quênia, Anthony Kimere enviou suporte para avós, primos e cobrança de despesas médicas de parentes ao longo de décadas, justificando o sentimento de dever pela lembrança de dificuldades vividas no passado. A prática envolve um amplo círculo familiar, às vezes com impactos nas finanças pessoais.
Fungai Mangwanya, da Zimbábue, seguiu para o Reino Unido em 2022 para sustentar avó, tia e outros familiares, buscando estabilidade financeira para as futuras gerações. O motivador é a volatilidade econômica de casa e o desejo de garantir educação e bem-estar.
África do Sul e ocidente
Mpho Hlefana, que chegou a liderar um setor de marketing antes dos 40, também teme perder tudo. A preocupação a impulsiona a acumular recursos mais cedo, mantendo o objetivo de oferecer às filhas imóveis e carros no futuro.
No oeste da África, a realidade é similar: muitos enviam recursos para sustentar famílias, enfrentar custos de saúde e educação. Relatos indicam que o dinheiro enviado continua sendo visto como necessidade básica, não apenas apoio voluntário.
Diáspora e políticas públicas
Remessas de africanos fora do continente somaram cerca de US$ 100 bilhões em 2022, segundo o Banco Africano de Desenvolvimento. Esse montante supera ajuda oficial e investimento estrangeiro em alguns países, reforçando o papel da diáspora no sustento de lares.
Especialistas alertam que tributos sobre remessas, como uma nova cobrança de 1% anunciada nos EUA, podem afetar desproporcionalmente migrantes de baixa renda. O custo das transações já impõe pressões adicionais para quem envia dinheiro regularmente.
Lucia Edafioka, doutoranda nigeriana nos EUA, afirma que o dinheiro destinado a necessidades básicas — alimentos, medicamentos e educação — aumenta a importância das remessas para a sobrevivência da família. A prática permanece, segundo ela, necessária independentemente de tributos.
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