- 40% das empresas não iniciaram o mapeamento dos impactos da reforma tributária que começa a coexistir em 2026, conforme estudo com 406 profissionais.
- 25% afirmam planejar ajustes, mas apenas 38% já iniciaram efetiva análise de impactos da mudança.
- Grandes empresas estão mais adiantadas: 85% acompanham notas técnicas, 75% revisam processos e sistemas, e 70% simulam cenários; PMEs seguem atrasadas, com cerca de 60% sem medidas iniciadas.
- A criação do IBS e da CBS exige revisão de faturamento, controles de compliance e integração entre áreas, impactando principalmente o backoffice.
- Split payment e crédito tributário são os assuntos mais buscados pelos setores, com dúvidas sobre aproveitamento do crédito e impactos de fluxo de caixa.
A reforma tributária, ainda em fase de implantação, não ganhou impulso suficiente nas empresas. Segundo levantamento da Qive, 40% das companhias ainda não iniciaram o mapeamento dos impactos do novo modelo, que começa a coexistir em 2026.
O estudo faz parte do terceiro capítulo do Panorama do Contas a Pagar 2026 e ouviu 406 profissionais de diversos portes. Apenas 25% disseram planejar ajustes, enquanto 38% já iniciaram a análise de impactos.
Essa defasagem coloca em foco a necessidade de revisão de processos fiscais, financeiros e tecnológicos para a convivência dos dois regimes. O atraso aumenta a exposição a riscos organizacionais.
Erika Daguani, CPO da Qive, aponta que a demora amplia riscos evitáveis. A transição exige revisão estrutural de processos e sistemas, não apenas ajustes pontuais, afirma a executiva.
Maturidade fiscal diverge conforme o porte da empresa
Metade das companhias já utiliza algum sistema de gestão integrada ou ferramentas de automação. Contudo, a conferência de documentos fiscais segue pouco automatizada, com apenas 11% adotando tecnologia nesse processo.
Com previsão de 2026, 60% das empresas pretendem automatizar ou intensificar a conferência de notas. Parte relevante não tem plano definido, o que preocupa pela necessidade de controle simultâneo dos dois regimes.
Empresas com processos digitalizados enxergam a reforma como oportunidade de reorganização. Já as com falhas internas veem o novo modelo como ameaça, avalia Erika Daguani.
Avanço desigual entre grandes empresas e PMEs
Entre grandes corporações, 85% acompanham notas técnicas e propostas, 75% revisam processos e sistemas, e 70% simulam cenários. Nas PMEs, aproximadamente 60% não iniciaram medidas de preparação.
Essa diferença pode impactar custos e dependência de consultorias externas nos anos iniciais da transição. Treinamento de equipes e apoio de consultorias são as ações mais comuns, ainda com adesão modesta.
Impactos operacionais do IBS e CBS
A criação do IBS e da CBS muda a apuração de tributos e a escrituração fiscal, exigindo revisão de faturamento, controles de compliance e integração entre áreas. O backoffice é o principal foco de mudança.
Segundo a especialista, dois sistemas convivendo por anos elevam o risco de inconsistências, perda de créditos e autuações. Automatizar a conferência de documentos passa a influenciar diretamente o caixa.
Dúvidas sobre split payment e crédito tributário
Um levantamento complementar analisa o interesse por 544 artigos da reforma por setor. Entre os termos mais buscados estão split payment e crédito tributário.
O split payment, com recolhimento automático no pagamento, preocupa setores de tecnologia, varejo e serviços por impactos no fluxo de caixa. O crédito tributário traz dúvidas sobre aproveitamento e acúmulo de créditos.
Esses temas refletem a busca por manter liquidez e conformidade fiscal ao mesmo tempo, aponta a pesquisadora. A transição, ainda em estágio inicial, exige planejamento robusto.
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