- 18 institutos de previdência (estaduais e municipais) investiram juntos mais de R$ 1.577.793.296,51 no Banco Master, em papéis majoritariamente de letras financeiras com vencimento em até anos, totalizando cerca de 3,5% do que eles aplicaram.
- A Rioprevidência sozinha investiu R$ 970 milhões, representando 10% do total, com nove compras entre 2023 e 2024; a movimentação levou a fiscalização do INSS e à exoneração do presidente do órgão.
- Amapá e Amazonas também tinham aplicações no Master: Amapá destinou R$ 400 milhões a permanecer no Banco do Brasil para evitar problemas com a liquidação; Amazonas monitorava rumores sobre a capacidade do banco em honrar compromissos, com o Amazonprev possuindo mais de 35 mil beneficiários e cerca de R$ 59,29 milhões em papéis Master.
- Entre os institutos municipais, destacam-se Maceió Previdência, com R$ 120 milhões investidos, e Campo Grande (MS), com R$ 1,4 milhão; houve operações em São Paulo interior, como R$ 2 milhões investidos no Texas I, que geraram alerta do Ministério Público de Contas.
- Com a liquidação extrajudicial do Master, aposentadorias e pensões podem depender do Tesouro Estadual; em alguns casos, valores de empréstimos consignados podem ficar com as próprias previdências, conforme decisões judiciais.
O que aconteceu: institutos públicos de previdência de Amapá, Amazonas, Rio e 15 municípios investiram juntos mais de 1,5 bilhão de reais em papéis do Banco Master, que está em liquidação judicial desde novembro. Os 18 institutos analisados tinham 1.577.793.296,51 em Letras Financeiras do banco, com vencimentos maiores que dois anos.
Quem está envolvido: Rioprevidência, Amapá Previdência, Amazonprev, além de previdências municipais de Maceió, Campo Grande e outras. O montante investido representa cerca de 3,5% do total aplicado pelos institutos monitorados.
Quando e onde: as operações ocorreram entre 2023 e 2024, em diversos estados do país. Os recursos estavam distribuídos por contratos de investimento sob a gestão dos governos estaduais e municipais, com beneficiários somando mais de 250 mil aposentados e pensionistas.
Por quê: a liquidação do Banco Master foi anunciada pelo Banco Central em novembro de 2024 após identificação de irregularidades no funcionamento da instituição. A autoridade apontou falhas que motivaram a liquidação extrajudicial.
Rioprevidência: o órgão estadual do Rio de Janeiro investiu 970 milhões de reais no Master, cerca de 10% do total de seus investimentos. A fiscalização do INSS foi acionada após nove compras de títulos entre 2023 e 2024. A autarquia informou que os investimentos obedeceram às normas vigentes à época.
Operação policial e medidas administrativas: a atuação da Polícia Federal ocorreu após investigações relacionadas ao risco elevado de determinadas operações. Em janeiro de 2025, houve exoneração do presidente da Rioprevidência. O órgão abriu procedimentos para apurar condutas e mitigar riscos.
Ações de esclarecimento e desdobramentos: em outubro de 2024, o deputado Luiz Paulo solicitou esclarecimentos à Rioprevidência sobre medidas para evitar impactos na sustentabilidade do fundo, sem resposta divulgada publicamente. Em caso de insuficiência financeira, a Rioprevidência informou que pagamentos de aposentadorias podem ser efetuados pelo Tesouro Estadual.
Descontos de consignados: em Amapá, a Justiça determinou que descontos de empréstimos consignados não sejam repassados ao Master. Beneficiários terão R$ 400 milhões pagos por meio de outras instituições, para evitar impactos na liquidação.
Amazonas e outros estados: o Amazonas monitorou rumores sobre a capacidade do Master honrar compromissos, em documento para o INSS. O instituto tinha mais de 35 mil beneficiários e cerca de R$ 59,3 milhões investidos no Master.
Previdências municipais: Maceió Previdência mantém 120 milhões em papéis do Master. Campo Grande (MS) investiu 1,4 milhão. Em São Paulo, Santa Rita d’Oeste investiu 2 milhões no fundo Texas I, ligado ao Master, levando a alertas do Ministério Público de Contas.
Recursos já recuperados e saldos: houve casos de reavaliação de aplicações e recuperação de valores em municípios específicos. Em alguns locais, foram abertos procedimentos administrativos para avaliar caminhos legais e a aderência a critérios técnicos de investimento.
Posições oficiais: diversos institutos afirmaram que não possuem mais investimentos no Master. Órgãos de Alagoas, Bahia, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins negaram ter papéis na instituição em liquidação.
O que dizem os especialistas: advogados ressaltam a possibilidade de perdas para os fundos, dada a liquidação do ativo e a necessidade de o patrimônio do Master cobrir eventuais prejuízos. Recomenda-se que beneficiários acompanhem demonstrativos e acionem os institutos em caso de problemas nos pagamentos.
Observação final: a cobertura de benefícios está sujeita à situação financeira dos institutos, à liquidação do Master e aos mecanismos de garantia e recuperação de ativos, conforme avaliações das autoridades competentes. Os institutos destacam que mantêm o pagamento de aposentadorias e pensões dentro dos limites legais.
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