- Brasil registrou a saída de cerca de 1.200 milionários em 2025, com Colômbia e México ~150 cada e Argentina ~100, segundo a Henley & Partners.
- Estados Unidos (principalmente a Flórida), Espanha e Portugal aparecem como destinos frequentes para esse movimento de fortunas.
- O motivo envolve incerteza geopolítica, busca por maior estabilidade patrimonial, planejamento sucessório eficiente e, em alguns casos, fatores tributários e cambiais.
- Costa Rica e Panamá começam a receber fluxos positivos, e Uruguai é citado como outro destino potencial, com foco em qualidade de vida e regras fiscais.
- A perspectiva para 2026 é de continuidade dessa tendência, com ênfase em países com maior segurança jurídica; Brasil, México e Argentina devem manter saída de investidores, ainda que haja chance de atrair capital para setores como tecnologia.
Brasil registra saída de cerca de 1.200 milionários em 2025, segundo Henley & Partners, enquanto Colômbia e México perderam cerca de 150 cada e Argentina, 100. O relato aponta um movimento contínuo de fortunas para fora da América Latina, impulsionado pela incerteza geopolítica e busca por maior estabilidade patrimonial. Destinos frequentes incluem EUA, especialmente a Flórida, bem como Espanha e Portugal.
O estudo analisa que parte do capital não chega aos grandes centros globais, mas faz escalas. Em 2025, as grandes fortunas da região buscaram jurisdições estáveis para planejamento patrimonial e sucessório, com foco em segurança, previsibilidade e proteção de ativos.
Panorama regional
Michel Soler, diretor geral da Henley & Partners para a América Latina, aponta que os fluxos negativos nos quatro países vêm se mantendo nos últimos anos e podem se repetir em 2026, dadas reformas fiscais, variação cambial e instabilidade política. O estudo traz a observação de que o Brasil, México e Argentina seguem sob pressão de saída.
A ONG Oxfam aponta que, em novembro de 2024, a região tinha 109 bilionários, 14 a mais que o ano anterior, com riqueza conjunta de US$ 622,9 bilhões. Esse montante aproxima-se do PIB combinado de Chile e Peru. Aza a fortuna de bilionários latino-americanos cresceu, em média, US$ 491 mil por dia entre 2000 e 2025.
Motivações e dinâmicas
Especialistas destacam fatores como insegurança, incerteza política e planejamento patrimonial internacional. Outros pontos incluem mudanças nas regras fiscais, volatilidade cambial, controles de capitais e busca por melhores condições de vida e negócios. Programas de residência por investimento ganham relevância nesse contexto.
John Sánchez, advogado consultado para o levantamento, afirma que o movimento envolve decisões estratégicas sobre tributação, estruturação patrimonial, aquisição imobiliária e educação de filhos, com impactos na canalização de capital. A migração é prevista como mais ampla que simples mudança de residência.
Perspectivas para 2026
O cenário colombiano tende a pedir proteção de risco em ano eleitoral, com eleições legislativas e presidenciais já anunciadas. O Brasil deve manter pressão de saída por insegurança e planejamento internacional, enquanto o México apresenta oportunidades ligadas a nearshoring, mas sem ignorar desafios de segurança e polarização.
A Argentina continua sob cautela: a percepção de saída de dólares e fragilização das reservas tende a manter o investidor em posição defensiva. A Venezuela, em contraste, é citada pela gestão de risco associada a segurança jurídica e acesso ao sistema financeiro global.
Expectativas de atração e equilíbrio
Mesmo com a fuga, países como Costa Rica e Panamá já registraram fluxos positivos de fortunas em 2025, sinal de novos destinos na região. Estima-se que a Costa Rica, o Panamá e o Uruguai se destaquem pela qualidade de vida, segurança e regime tributário atrativo.
Analistas apontam que o Brasil, México e Colômbia podem compensar a saída atraindo capitais para o setor tecnológico, o que reduz a probabilidade de migração maior entre grandes fortunas caso o setor profissional tenda a crescer.
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