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Brasileiras enfrentam desafios para listar ações nos EUA

PicPay abre capital nos EUA, buscando liquidez global, enquanto a empresa encara governança, custos e a regulação da SEC

Painel da Nasdaq em Nova York: preservar valor exige esforço constante (foto: SOPA Images / GettyImages)
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  • A fintech PicPay, controlada pela família Batista, fará IPO nos Estados Unidos, na Nasdaq, com o código de negociação “PICS”, no dia 29 de janeiro, e pode levantar até US$ 434,3 milhões com a venda de cerca de 22,9 milhões de ações a preço estimado entre US$ 16 e US$ 19; a operação é coordenada por Citigroup, BofA Securities e RBC Capital Markets.
  • A abertura de capital ocorre após tentativa frustrada em 2021, sinalizando retomada de ofertas de ações brasileiras no exterior e maior familiaridade com investidores internacionais.
  • O movimento ocorre em meio a um cenário em que companhias brasileiras avaliam listar fora do país para ampliar base de investidores e melhorar liquidez, diante de liquidez local reduzida e juros elevados.
  • Desafios incluem custos elevados em dólar, exigências da Securities and Exchange Commission (SEC), necessidade de governança rigorosa, controles internos e relação com analistas e investidores minoritários.
  • Especialistas veem o IPO do PicPay como indicativo de que o mercado americano pode ser destino natural para empresas com ambição global, sem esvaziar a B3, que permanece relevante para negócios domésticos.

A fintech PicPay, controlada pela família Batista, anunciará sua oferta pública inicial (IPO) nos Estados Unidos, com listagem na Nasdaq sob o código PICS. A operação está prevista para 29 de janeiro e mira levantar até US$ 434,3 milhões com a venda de cerca de 22,9 milhões de ações, a US$ 16–19 cada. O IPO é coordenado por Citi, BofA Securities e RBC Capital Markets.

A decisão marca a retomada de ofertas de ações de empresas brasileiras após um período de ociosidade no mercado, tanto local quanto externo. O movimento ocorre em meio a um cenário de liquidez reduzida no Brasil e juros elevados, que reduziram o apelo de lista doméstica para algumas companhias.

A busca por investidores internacionais está no centro da estratégia. Dados de mercado apontam que o público americano de investidores institucionais tende a nível de maturidade e liquidez mais robusto para empresas de menor expressão, como as classificadas hoje como small caps.

A explicação institucional aponta para governança aprimorada ao se submeter à supervisão da SEC. A presença em praças reguladas pode elevar padrões de governança corporativa e ampliar o acesso a capital no longo prazo, segundo especialistas ouvidos pelo setor.

Desafios e custos não são esquecidos. O processo envolve o preenchimento do formulário 20-F, bem como auditorias e assessorias para manter a conformidade com regras norte-americanas, tudo com custos em dólar que impactam a estrutura financeira da empresa.

Analistas destacam que a relação com analistas e investidores minoritários nos EUA exige previsibilidade, consistência nos números e clareza sobre os drivers de resultados. Erros de comunicação podem afetar cobertura e liquidez das ações.

O movimento da PicPay não deve esvaziar a B3, segundo especialistas. A bolsa brasileira segue relevante para empresas com atuação doméstica, enquanto Wall Street tende a ser destino natural para companhias com ambição global e necessidade recorrente de capital.

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