- Cerca de 6,8 milhões de pessoas estão em pobreza muito profunda no Reino Unido, o maior número já registrado desde que existem dados.
- Aproximadamente metade de quem vive em pobreza está nesse patamar, com 1,9 milhão de pessoas nesse estado persistente (3%).
- Pobreza muito profunda é definida como renda abaixo de 40% do limiar de pobreza após aluguel; a renda média nesse grupo fica 59% abaixo do limiar, o que para um casal com dois filhos jovens corresponde a £16.400 ou menos.
- Cerca de 3,8 milhões de pessoas enfrentaram destituição extrema; não houve progresso na redução da pobreza entre 2010-11 e 2023-24.
- O estudo elogia a estratégia do Labour para pobreza infantil, incluindo o fim do limite de benefício para a segunda criança, mas aponta que falta urgência para enfrentar dificuldades além da pobreza infantil.
O Joseph Rowntree Foundation (JRF) divulgou uma análise com dados de 2023-24, apontando que o Reino Unido tem recorde de pessoas em pobreza muito profunda. Cerca de 6,8 milhões estão nesse patamar, correspondendo a metade de quem vive na pobreza.
A pobreza muito profunda é definida como renda familiar abaixo de 40% do limiar de pobreza após o aluguel. A renda média entre esses domicílios é 59% inferior ao limite. Um casal com dois filhos pequenos costuma ter 16.400 libras anuais ou menos.
Ao todo, 1,9 milhão de pessoas (3% da população) permanecem nesse regime de forma persistente. Para sair da pobreza, seria necessário que um casal com dois filhos pudesse auferir mais cerca de 14.700 libras por ano.
O estudo aponta ainda que 3,8 milhões de pessoas no Reino Unido enfrentaram destituição, condição ainda mais severa que a pobreza muito profunda, segundo o JRF.
A análise utiliza dados de 2023-24, último ano do governo conservador anterior, e não identifica avanços na redução da pobreza entre 2010-11 e 2023-24. O relatório reforça a necessidade de ações consistentes para reduzir dificuldades além da pobreza infantil.
Desdobramentos e respostas
O JRF elogia a estratégia de pobreza infantil defendida pelo Labour, inclusive a revogação do limite de benefício para famílias com mais de dois filhos, reconhecendo potencial impacto na pobreza infantil. Ainda assim, aponta falta de urgência percebida para enfrentar o aperto vivido por famílias fora desse recorte.
Segundo o estudo, continuam elevadas as situações de insegurança alimentar e o baixo valor de benefícios básicos, o que amplia a vulnerabilidade de milhares de pessoas. O relatório recomenda ações que protejam a economia doméstica e ampliem o apoio a famílias de baixa renda.
O porta-voz do Ministério do Trabalho e Pensões foi contatado para comentar o tema, sem que haja confirmação de declaração até o fechamento desta edição.
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