- PF ouve oito investigados sobre a tentativa de venda do Banco Master ao BRB, barrada pelo Banco Central, em depoimentos no STF a pedido do relator Dias Toffoli.
- Nesta segunda-feira, quatro investigados prestam depoimento entre dirigentes do BRB, do Master e empresários ligados ao caso; na terça-feira, outros quatro.
- A investigação aponta que o negócio envolveu emissão de certificados de depósito bancário com promessas de rendimentos até quarenta por cento acima da taxa básica, retorno considerado irreal, em torno de R$ 12 bilhões.
- O acordo de compra foi impedido pelo BC por riscos identificados; envolvimento de dirigentes do BRB e do Master foi ampliado pela PF; o dono do Master, Daniel Vorcaro, já foi preso na Operação Compliance Zero.
- A operação também foca fraudes financeiras e possíveis crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta, uso de informação privilegiada e lavagem de dinheiro; nova fase busca elementos probatórios.
A Polícia Federal iniciou, nesta segunda-feira (26), ouvidos a oito investigados no inquérito sobre a tentativa frustrada de venda do Banco Master ao BRB. O caso, que envolve supostas irregularidades, foi levado ao STF pelo relator Dias Toffoli, que prorrogou a investigação por mais 60 dias.
Os depoimentos desta segunda contam com dirigentes do BRB, executivos do Master e empresários ligados ao caso. Participam Dário Garcia Junior, diretor de Finanças do BRB; André Maia, ex-funcionário do Master e diretor da Tirreno; Henrique Peretto, proprietário formal da Tirreno; e Alberto Oliveira, superintendente-executivo de Tesouraria do Master.
Na terça-feira (27), serão ouvidos outros quatro envolvidos, entre atuais e ex-dirigentes do Master e do BRB. Estão na lista Robério Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB; Luiz Bull, diretor de Riscos, Compliance e Tecnologia do Master; Angelo Ribeiro da Silva, sócio do Master; e Augusto Lima, ex-sócio da instituição.
Investigações em andamento
Segundo a PF, o Master teria emitido CDBs com rendimentos de até 40% acima da taxa básica. O retorno prometido seria considerado irreal, com potencial movimentação de cerca de R$ 12 bilhões envolvendo o BRB. O inquérito aponta indícios de participação de dirigentes do BRB nas operações.
Ainda conforme a PF, o acordo de compra firmado em março não teve conclusão por riscos identificados pelos órgãos reguladores, o que levou o Banco Central a impedir o fechamento. O caso integra a linha da Operação Compliance Zero, que já resultou em prisões e desdobramentos.
História recente e desdobramentos
O dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso em novembro na primeira etapa da Compliance Zero, mas liberado dias depois pelo TRF-1. Novas ações da PF, deflagradas recentemente, visam aprofundar fraudes ligadas ao banco, com foco em fraudes de mercado e uso de informações privilegiadas.
Relator Toffoli autorizou novas diligências diante de evidências de novos ilícitos. A apuração apura uso de ativos sem liquidez, preços inflados, uso de laranjas e transações entre partes relacionadas. O grupo estaria conectado a familiares ou ligados ao Master.
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